Google Analytics 4: o que mudou, como ler e como exportar o histórico
Google Analytics 4 é a versão atual do Google Analytics, a que registra cada interação de site e aplicativo como um evento e monta os relatórios a partir deles. Desde 1º de julho de 2023 é a única versão que processa dados, e o histórico da versão anterior, o Universal Analytics, foi apagado em 1º de julho de 2024.
Google Analytics 4 é a ferramenta que ficou quando o Universal Analytics parou. Quem chegou depois da troca aprende o GA4 como ele é; quem veio do Universal ainda procura o relatório antigo e não encontra. Este guia serve aos dois: explica o modelo de eventos, o que cada relatório responde, onde as explorações param, o que a documentação diz sobre limites e amostragem, o que não migrou, e os três caminhos para tirar o dado de dentro do Google Analytics 4 e levar a outra ferramenta. A definição básica e os números de uso estão no artigo sobre o que é Google Analytics; aqui o assunto é a versão 4 por dentro.
Neste artigo
O que é o Google Analytics 4 e o que ele substituiu?
Google Analytics 4 é a quarta geração do Google Analytics. A página de introdução do Google o descreve como "a próxima geração do Analytics, que coleta dados com base em eventos de sites e apps", e resume a mudança em uma frase: ele "usa dados com base em eventos em vez de sessões".
Ele substituiu o Universal Analytics, e a substituição foi completa. Na página oficial sobre a troca, o Google marca as duas datas: "A partir de 1º de julho de 2023: as propriedades padrão do Universal Analytics pararam de processar hits" e "Desde 1º de julho de 2024: não é possível acessar nenhum dado ou histórico do Universal Analytics". A mesma página avisa que "os dados serão excluídos permanentemente pelo Google e não poderão ser recuperados". Não houve conversão automática: quem não exportou o Universal antes de julho de 2024 ficou sem o histórico.
A troca de versão não é uma atualização de tela. É uma mudança de unidade de medida. No Universal, a sessão era a peça central e tudo se pendurava nela: páginas vistas por sessão, taxa de rejeição por sessão, metas concluídas por sessão. No Google Analytics 4 a peça central é o evento, e a sessão virou um evento entre outros, chamado session_start. Essa troca explica as perguntas deste artigo: por que os números mudaram, por que os relatórios têm nomes novos, e por que a leitura pede outro hábito.
O produto continua em duas versões: a padrão, gratuita, e o Analytics 360, pago, com limites maiores. O Google não publica preço do 360, e este artigo cita os limites das duas versões sempre que a documentação os separa.
Como funciona o modelo de eventos do Google Analytics 4?
No Google Analytics 4, tudo que uma pessoa faz no site vira um evento com nome e parâmetros. A documentação sobre eventos do Google separa quatro categorias, e a diferença entre elas é quem faz o trabalho:
- Eventos coletados automaticamente. "Eventos coletados automaticamente são registrados por padrão quando você configura o Google Analytics." O session_start e o first_visit estão aqui. Você não faz nada.
- Eventos de medição otimizada. "Eventos de medição otimizada são coletados quando você configura o Google Analytics no seu site ou app e a medição otimizada está ativada." É uma chave na configuração do fluxo de dados, e ela liga os eventos que interessam a quem tem um site de conteúdo ou de serviço: page_view, scroll (disparado a 90% da profundidade da página), click de saída para outro domínio, view_search_results, video_start, video_progress, video_complete, file_download, form_start e form_submit.
- Eventos recomendados. "Eventos recomendados: você implementa, mas eles têm nomes e parâmetros predefinidos." São os de comércio eletrônico, como add_to_cart e purchase, e os de cadastro, como sign_up e login. Exigem código, mas o nome é do Google.
- Eventos personalizados. "Eventos personalizados: você é quem define. Só crie eventos desse tipo quando nenhum outro funcionar."
Na prática, um site institucional ou de serviço vive das duas primeiras categorias. Ligar a medição otimizada já entrega o par que mais importa para quem capta contato: form_start, que a documentação de medição otimizada define como a "primeira vez que um usuário interage com um formulário em uma sessão", e form_submit, disparado "quando o usuário envia um formulário". A distância entre os dois é a taxa de abandono do formulário, sem escrever uma linha de código.
Dois limites técnicos da mesma documentação de eventos merecem registro, porque explicam sumiços de dado. O primeiro: "O Google Analytics tem um limite de tamanho de 16 KB para dados de eventos sempre que os dados são enviados." Um evento com parâmetros longos demais é descartado. O segundo: "O Google Analytics ignora eventos que chegam mais de 2 dias corridos, além do dia atual, depois que são acionados." Um aplicativo que ficou sem conexão por uma semana e enviou tudo de uma vez perde o que passou do prazo.
O modelo de eventos tem um custo de leitura que a interface não resolve: o nome que chega é técnico. Um relatório com form_submit, click e file_download é legível para quem configurou; para o gerente comercial, não. O Google Analytics 4 permite renomear na exibição, mas o nome do evento gravado continua o mesmo. No catálogo de eventos do GoLoop, a separação entre identificador técnico e nome de negócio é o desenho: "Agendamento solicitado" é o que a equipe lê, form_submit_contato é o que o navegador manda, e renomear não reescreve nada do histórico porque o identificador é imutável.
Quais são os relatórios principais e o que cada um responde?
Os relatórios padrão do Google Analytics 4 são agregados: contam quantos, sem dizer quem. A documentação de relatórios separa dois tipos, os de visão geral, que resumem um tema, e os detalhados, que aprofundam um recorte, e os organiza em coleções. As duas coleções que todo site tem são Ciclo de vida, que segue o caminho de aquisição a retenção, e Usuário, que descreve quem visita por dados demográficos, interesses e tecnologia.
A tabela abaixo mostra o que cada relatório de Ciclo de vida responde e qual é a unidade que ele conta. É a unidade que muda a leitura.
| Relatório | Pergunta que ele responde | O que ele conta |
|---|---|---|
| Aquisição de usuários | Por onde as pessoas chegaram pela primeira vez? | Usuários novos, pela origem do primeiro usuário |
| Aquisição de tráfego | Por onde cada visita chegou? | Sessões, pela origem da sessão |
| Engajamento: Eventos | O que as pessoas fizeram? | Contagem de eventos por nome |
| Engajamento: Páginas e telas | Quais páginas foram vistas? | Visualizações e usuários por página |
| Engajamento: Páginas de destino | Por qual página as sessões começaram? | Sessões por página de entrada |
| Monetização | Quanto rendeu? | Receita e itens, para quem envia eventos de compra |
| Retenção | Quem voltou? | Usuários novos e recorrentes por coorte |
Fonte: Google, documentação de relatórios do GA4 e páginas dos relatórios Aquisição de usuários e Aquisição de tráfego, consultadas em setembro de 2026.
A página do relatório Aquisição de tráfego diz que ele existe para "ajudar você a entender a origem dos visitantes do seu site e aplicativo" e que mostra "de onde vêm os usuários novos e recorrentes", com a dimensão padrão "Agrupamento de canais padrão da sessão". O relatório Aquisição de usuários, por contraste, mostra só a origem de quem é novo. A diferença parece pequena e não é, e a próxima seção mostra o tamanho dela com o exemplo da própria documentação.
Uma leitura útil de cada bloco, para quem abre o Google Analytics 4 uma vez por semana:
- Aquisição responde de onde vem o tráfego e é onde a UTM de um link de campanha aparece, agrupada em canais por regras fixas.
- Engajamento responde o que as pessoas fizeram, e é onde a contagem de eventos e o relatório de páginas moram.
- Monetização só faz sentido para quem envia os eventos recomendados de compra; sem eles, fica vazio.
- Retenção responde se as pessoas voltam, em coortes semanais, e é o relatório menos lido e mais honesto sobre a saúde de um site de conteúdo.
- Usuário responde quem são, em agregado: país, cidade, dispositivo, navegador, e dados demográficos quando há volume suficiente.
O que nenhum deles responde é a jornada de uma pessoa. O relatório diz que 40 sessões vieram do e-mail e 3 terminaram em formulário enviado; não diz quais 3, nem o que cada uma fez antes. Essa pergunta é de outra ferramenta, e a última seção trata dela.
Por que a origem do tráfego não bate entre dois relatórios?
Porque a dimensão Origem existe em três escopos no Google Analytics 4, e cada relatório usa um. A documentação de dimensões lista a mesma palavra, Origem, definida como "A origem das referências para sua propriedade", em três versões: com escopo de usuário (firstUserSource na API), com escopo de sessão (sessionSource) e com escopo de evento (source).
A página que compara os dois relatórios de aquisição traz o exemplo que resolve a confusão. Uma pessoa acha o site pelo Google e depois volta dez vezes digitando o endereço. Nas palavras da documentação: "O relatório de aquisição de usuários vai contabilizar as 11 sessões na linha 'Google'. O relatório de aquisição de tráfego terá uma sessão na linha 'Google' e as outras 10 sessões na linha '(direta)'".
Os dois estão certos. Um responde quem trouxe a pessoa; o outro responde o que a fez voltar. O erro é somar os dois ou apresentar um como se fosse o outro. Três consequências práticas:
- Campanha de aquisição se avalia pela origem do primeiro usuário. Se a pergunta é "o anúncio trouxe gente nova?", o relatório é Aquisição de usuários.
- Campanha de reativação se avalia pela origem da sessão. Se a pergunta é "o e-mail fez as pessoas voltarem?", o relatório é Aquisição de tráfego.
- Conversão com origem pede cuidado com o escopo. Um evento de formulário enviado na décima visita, que chegou como direto, será atribuído ao Google no primeiro relatório e ao direto no segundo.
Guardar as duas origens por pessoa é o que faz a leitura fechar. A ficha de visitante do GoLoop guarda a origem da primeira visita e a origem de cada visita seguinte, e a documentação explica a razão com o mesmo exemplo: "É a diferença entre saber que o anúncio funcionou e saber que a pessoa só converteu na terceira vez, depois de chegar por busca orgânica."
Como funcionam as explorações e quais são os limites delas?
Explorações (a área "Explorar" do painel) são o lugar do Google Analytics 4 para perguntas que os relatórios padrão não respondem. A documentação as define como "um conjunto de técnicas avançadas que vão além dos relatórios padrão" e lista sete técnicas: formato livre, funil, caminho, sobreposição de segmentos, análise de usuários, coorte e ciclo de vida do usuário. A exploração de funil tem artigo próprio neste blog.
O que as explorações têm de diferente é a tabela de onde leem. A página sobre como o Google Analytics armazena dados explica que os relatórios padrão usam "tabelas agregadas para fornecer resultados rápidos e sem amostragem", e as explorações consultam a tabela de eventos. Isso dá liberdade de cruzar dimensões e cobra quatro limites que a documentação declara.
Retenção de dados. A documentação de retenção oferece, na propriedade padrão, "2 meses" ou "14 meses" de dados de usuário e evento; no Analytics 360, "2 meses", "14 meses", "26 meses", "38 meses" ou "50 meses". A configuração afeta "análises detalhadas e os relatórios de funil" e não afeta "os relatórios padrão agregados". O padrão, ao criar a propriedade, é dois meses, e muita gente descobre isso só quando a exploração devolve o gráfico cortado.

Fonte: Google, documentação de retenção de dados do Google Analytics 4, consultada em setembro de 2026. Os valores são as opções de configuração para dados de usuário e evento; os relatórios padrão agregados não são afetados por elas.
Há uma opção que atenua o corte para quem volta: "Redefinir os dados de usuários sobre novas atividades". Com ela ligada, a cada evento novo "a data de validade é definida como o horário atual mais o período de retenção". Quem visita todo mês não expira; quem sumiu por 14 meses, sim.
Amostragem. A documentação de amostragem define a prática como "analisar um subconjunto de dados para descobrir informações importantes de um conjunto maior". Ela acontece nas explorações quando a consulta passa da cota: 10 milhões de eventos na propriedade padrão, e até 1 bilhão no Analytics 360. Quando acontece, o ícone de qualidade dos dados no topo da exploração mostra a porcentagem de dados usada. Um site com 100 mil eventos por mês não chega perto; um portal de notícias com um ano de período selecionado chega.
Limites mínimos de dados (thresholds). A documentação sobre limites de dados explica a razão deles: "Esses limites mínimos de dados impedem que as pessoas que veem relatórios ou análises detalhadas consigam deduzir a identidade ou dados sensíveis dos usuários". Eles se aplicam a dados demográficos e a consultas de pesquisa quando não há "uma quantidade de usuários suficiente", e o aviso na tela é "O Google Analytics aplicou o limite a um ou mais cards neste relatório". O número mínimo de usuários que dispara o limite não está na página oficial, e este artigo não o inventa: a documentação consultada em setembro de 2026 fala em quantidade suficiente, sem valor.
Quantidade de explorações. A mesma documentação de explorações fixa "até 200 análises detalhadas por propriedade para cada usuário" e "até 500 análises detalhadas compartilhadas por propriedade".
Dos quatro, o que muda decisão é o primeiro. Uma exploração de funil que olha 18 meses para trás, numa propriedade padrão, não encontra o começo do período. Não é defeito da conta nem da tag: é a retenção. Antes de montar qualquer exploração de ciclo longo, a configuração de retenção precisa estar em 14 meses, e o dado anterior à mudança não volta.
O que é evento principal no Google Analytics 4?
Evento principal (key event, em inglês) é o nome que o Google Analytics 4 dá ao evento que representa resultado. A documentação define: "Um evento principal mede uma ação particularmente importante para o sucesso da sua empresa." Qualquer evento coletado pode ser marcado como principal na tela de eventos, com um botão ao lado do nome, e a partir daí ele aparece nas colunas de evento principal dos relatórios e nas explorações.
O termo mudou. O que o Analytics chamava de conversão passou a se chamar evento principal, e a palavra conversão ficou reservada ao Google Ads. A mesma página define: "Uma conversão é criada no Google Ads com base em um evento do Analytics e oferece uma maneira consistente de medir ações importantes." A documentação não data a troca de nome; o que ela diz é que o objetivo foi alinhar o vocabulário das duas ferramentas.
Para quem lê relatório, isso resolve uma ambiguidade antiga e cria outra. Resolve porque "conversão" agora significa uma coisa só, a que o Google Ads otimiza. Cria porque um evento principal do Analytics e uma conversão do Ads podem ter contagens diferentes para o mesmo formulário, por janela de atribuição e por dedução de cliques.
Três regras práticas para marcar eventos principais:
- Marque poucos. Se form_submit, click e scroll são todos principais, a coluna deixa de significar resultado. O catálogo do GoLoop faz a mesma recomendação ao marcar um evento como conversão: "se tudo é conversão, o número de conversões deixa de significar alguma coisa".
- Marque o evento do resultado, não o do caminho. form_submit é resultado; form_start é caminho.
- Confira a contagem. Um evento principal que dispara duas vezes por envio (porque a página de obrigado também dispara) dobra o número. O relatório de eventos mostra a contagem por página e revela isso.
O evento principal é a matéria-prima de duas coisas fora do relatório: o funil, onde ele é a etapa final, e a meta. No GoLoop, uma meta é um alvo com prazo sobre uma métrica que a plataforma calcula, como conversões ou novos leads, comparado com o ritmo esperado até o dia de hoje, e não com o alvo final.
O que não migrou do Universal Analytics?
Nada do dado migrou, e parte do modelo também não. A página que compara as duas versões é a lista oficial do que mudou, e as diferenças que ainda causam confusão em 2026 são estas:
- O dado histórico. O Universal não foi convertido. A recomendação do Google, na página sobre arquivamento, foi exportar com o complemento de planilhas: "Recomendamos que os dados do UA sejam arquivados usando o Complemento de planilhas do Google Analytics", com acesso "pela interface e API até 1º de julho de 2024". Quem exportou tem planilhas; quem não exportou não tem nada.
- Categoria, ação e rótulo. "Um evento do Universal Analytics tem uma categoria, uma ação e um rótulo"; o evento do Google Analytics 4 tem nome e parâmetros. Não existe tradução automática de um para o outro, e uma tag antiga que envia categoria e ação para o GA4 vira um evento chamado pelo nome da ação, sem a categoria.
- A sessão como derivada. "As métricas de sessão do Google Analytics 4 são derivadas do evento session_start, um evento coletado automaticamente". A sessão deixou de ser um contêiner e virou um cálculo, e por isso a contagem não bate com a do Universal para o mesmo período.
- Campanha nova não inicia sessão. "No Google Analytics 4, uma nova campanha não inicia uma nova sessão". No Universal, uma pessoa que chegava pelo e-mail e, dez minutos depois, clicava num anúncio, gerava duas sessões. No GA4, uma. Menos sessões no total, e uma parte dos cliques de campanha atribuída à sessão que já existia.
- Janela de processamento. "No Google Analytics 4, os eventos são processados se chegam com até 72 horas de atraso", contra quatro horas no Universal. O relatório de ontem pode mudar até depois de amanhã.
- Taxa de rejeição. Ela saiu dos relatórios padrão e deu lugar à taxa de engajamento, a porcentagem de sessões que duraram mais de dez segundos, tiveram evento principal ou duas visualizações. Ela pode ser adicionada de volta como métrica, mas a definição é outra: é o inverso da taxa de engajamento, e não a sessão de página única.
- Recursos sem equivalente. A página cita o controle de máscara de IP, as tarefas personalizadas do analytics.js e a medição de velocidade do site como itens sem correspondente no GA4.
O quarto e o sexto itens são os que mais derrubam comparações. Um relatório de 2022 com 10 mil sessões e 55% de rejeição não se compara a um de 2026 com 8 mil sessões e 60% de engajamento, e quem apresenta os dois lado a lado está comparando duas réguas. A leitura honesta começa o histórico em julho de 2023 e trata o Universal como outro instrumento.
Como exportar dados do Google Analytics 4 para outra ferramenta?
Há três caminhos, e eles servem a três tamanhos de problema: o CSV para uma tabela, a API de dados para um painel ou uma integração, e o BigQuery para o dado bruto. Os limites de cada um estão na documentação e decidem a escolha.
Exportar um relatório em CSV, PDF ou Planilhas
É o caminho para levar uma tabela a uma planilha ou a outra ferramenta que aceite CSV. A documentação de compartilhamento e exportação descreve os formatos, "Planilhas Google, PDF ou CSV", e o limite: "o arquivo inclui até 100.000 linhas de dados". Exige a "função de leitor" na propriedade.
- Abra o relatório em Relatórios, ou a exploração em Explorar.
- Ajuste o período e as dimensões. O que sai no arquivo é o que está na tela, com todas as linhas da tabela, mesmo as que não estão visíveis.
- Clique em "Compartilhar este relatório", no canto superior direito, e escolha "Fazer o download do arquivo".
- Escolha CSV para outra ferramenta, Planilhas para trabalhar no Google, PDF para enviar a alguém.
- Repita por relatório e por período. Não há exportação em lote pela interface.
O limite de 100 mil linhas é confortável para relatório agregado por dia ou por canal, e apertado para relatório por página em um site grande. O que o CSV não leva é a jornada: cada linha é um agregado, e não uma pessoa.
Usar a API de dados
A Google Analytics Data API é o caminho para um painel externo, um Looker Studio com cache próprio ou uma rotina que consulta o Google Analytics 4 todo dia. A referência do método runReport diz o tamanho da resposta: "If not specified, 10,000 rows will be returned. The API returns a maximum of 250,000 rows per request, regardless of your request." Acima disso, a paginação é por offset.
As cotas da propriedade padrão, na documentação de limites da API, são 200.000 tokens por dia e 40.000 por hora por propriedade, 14.000 tokens por projeto, propriedade e hora, 10 requisições simultâneas e 10 erros de servidor por hora. Cada requisição consome tokens conforme a complexidade; um painel que recarrega dez gráficos a cada abertura, para uma equipe inteira, esgota a cota da hora antes do almoço. A resposta da API respeita a mesma amostragem e os mesmos limites mínimos das explorações.
Os passos, em resumo: criar um projeto no Google Cloud, ativar a API, criar uma conta de serviço, dar a ela o papel de leitor na propriedade e chamar runReport com as dimensões e métricas que o relatório usa. Para quem não programa, os conectores de planilha e de Looker Studio fazem isso por baixo, e as cotas valem para eles também.
Exportar para o BigQuery
O BigQuery é o único dos três que entrega o dado bruto, evento por evento, sem agregação, sem amostragem e sem retenção de 14 meses. A documentação do BigQuery Export abre com a frase que importa: "Quando você exporta dados para o BigQuery, eles são seus". A propriedade padrão tem "um limite diário de 1 milhão de eventos do BigQuery Export"; acima disso, a exportação diária para de incluir o excedente. Existe a exportação por streaming, "quase em tempo real (em minutos)", que custa cerca de US$ 0,05 por gigabyte e não inclui a origem de novos usuários e sessões.
O custo é o do BigQuery, não do Analytics. A documentação diz que o sandbox do BigQuery é gratuito e que "as exportações que excederem os limites do sandbox gerarão custos". Um site de 100 mil eventos por mês cabe no sandbox por muito tempo; um de 900 mil eventos por dia paga armazenamento e consulta.
A ligação é feita em Administrador, em Vinculações do BigQuery, escolhendo o projeto, a região e a frequência (diária, streaming ou as duas). O dado começa a chegar no dia seguinte; o passado não vem. Esse é o ponto em comum dos três caminhos: nenhum exporta o que aconteceu antes de a exportação existir. O BigQuery entrega tudo dali para a frente; o CSV e a API entregam o que a retenção ainda guarda.
O que levar para a outra ferramenta
Um erro comum é tentar reproduzir o Google Analytics 4 dentro da ferramenta nova. O que vale levar é o agregado que serve de linha de base: sessões, usuários e eventos principais por mês e por canal, num CSV, para comparar o antes e o depois. A jornada de cada pessoa não sai do GA4 por nenhum dos caminhos, porque o modelo de relatório é agregado por desenho, e a ferramenta que mede jornada começa a medir no dia da instalação. É a regra que vale para qualquer rastreador: o histórico dele é a verdade a partir da tag. O GoLoop segue essa regra e oferece a importação do histórico do Google Analytics como extra opcional, feita uma vez só, para trazer o agregado do passado para o painel; a jornada de cada pessoa começa na instalação.
No sentido contrário, a exportação em CSV do GoLoop leva para fora a lista de visitantes com os filtros da tela, quem chegou a cada etapa de uma jornada, as respostas de um modal e a trilha de auditoria; a exportação é assíncrona e o arquivo tem prazo de validade. Para uso programático, a documentação aponta o MCP, que consulta os dados em vez de gerar arquivo.
Como ler o Google Analytics 4 ao lado de um rastreador de jornada?
Como dois instrumentos com perguntas diferentes. O Google Analytics 4 responde "quantos", em agregado, com o ecossistema de anúncios do Google ligado a ele. Um rastreador de jornada responde "quem" e "o que cada uma fez", e a resposta tem nome quando a pessoa se identifica.
Quatro leituras em que o par funciona melhor do que cada um sozinho:
- Origem. O GA4 agrupa a origem em canais por regra fixa e separa primeiro usuário de sessão. O GoLoop guarda as duas origens por pessoa na ficha, e o funil aceita a origem como etapa, o que compara o mesmo caminho para quem veio de busca e para quem veio de anúncio, em pessoas e não em sessões.
- Formulário. O GA4 conta form_start e form_submit. Quando alguém envia o formulário mapeado no GoLoop, a identificação liga o histórico anônimo anterior ao contato, sem recomeçar: a data da primeira visita continua sendo a de verdade.
- Robôs. Os relatórios do GA4 têm exclusão de tráfego conhecido de robôs, sem detalhar o que foi excluído. O GoLoop marca o tráfego automatizado na origem, guarda em vez de descartar e mostra à parte, o que permite conferir se um pico foi público ou monitor.
- Retenção. O GA4 guarda 2 ou 14 meses para explorações e não apaga os relatórios agregados. O GoLoop tem prazo de retenção configurado pelo cliente e executado por uma tarefa periódica que apaga de verdade; o que passou do prazo some, e o que precisa ficar tem que ser exportado antes.
Nenhuma dessas leituras pede desinstalar o Google Analytics 4. Os dois scripts convivem na mesma página, e a instalação dos dois é a mesma ideia: uma tag no head. O que muda é a pergunta que cada tela responde, e saber qual tela abrir para qual pergunta é o que este artigo tentou entregar.
Perguntas frequentes
O Google Analytics 4 mede sessões como o Universal media?
Não. A sessão do Google Analytics 4 é derivada do evento session_start, e a documentação de comparação entre as versões diz que uma nova campanha no meio da visita não inicia uma sessão nova, ao contrário do Universal. Por isso, para o mesmo tráfego, o GA4 tende a contar menos sessões, e a comparação entre as duas versões não é válida sem essa ressalva.
Por que a exploração de funil mostra menos dados do que o relatório padrão?
Porque a retenção de dados só afeta as explorações e os relatórios de funil, não os relatórios padrão agregados. Uma propriedade padrão com retenção de 2 meses, que é o valor inicial, mostra o relatório de aquisição do ano inteiro e a exploração de apenas dois meses; subir para 14 meses vale só para o dado gravado a partir da mudança.
Quando o Google Analytics 4 aplica amostragem?
Nas explorações, quando a consulta passa de 10 milhões de eventos numa propriedade padrão ou de 1 bilhão no Analytics 360, segundo a documentação de amostragem. Os relatórios padrão leem de tabelas agregadas e não amostram; o ícone de qualidade dos dados no topo da exploração mostra a porcentagem usada quando a amostragem acontece.
A exportação para o BigQuery é gratuita?
A exportação em si é um recurso do Google Analytics 4, inclusive na propriedade padrão, com limite de 1 milhão de eventos por dia. O que pode custar é o BigQuery: a documentação diz que o sandbox é gratuito e que exportações acima dos limites do sandbox geram custo, e que o streaming custa cerca de US$ 0,05 por gigabyte.
Dá para recuperar o histórico do Universal Analytics em 2026?
Não. A página oficial sobre a substituição diz que desde 1º de julho de 2024 não é possível acessar nenhum dado do Universal Analytics e que os dados foram excluídos de forma permanente. Só quem exportou antes, por planilha ou API, tem o histórico.
O que é a linha "(Outros)" nos relatórios?
É a linha em que o Google Analytics 4 agrupa os valores de uma dimensão que passaram do limite de linhas da tabela agregada, segundo a documentação sobre armazenamento de dados. Ela aparece em relatórios de páginas e de campanhas de sites com muitos valores distintos, e a forma de vê-los separados é uma exploração ou o BigQuery.
O próximo passo
Abra a configuração de retenção de dados da sua propriedade hoje. Se estiver em 2 meses, mude para 14, porque cada dia de espera é um dia a menos de exploração de funil no futuro. É o ajuste mais barato do Google Analytics 4, e é o que separa quem consegue medir um ciclo de decisão longo de quem descobre o corte na hora de apresentar.
Cícero Moura
Cícero Moura é fundador da GoLoop. Escreve sobre jornada do visitante, funil e o que os números do site realmente dizem, a partir do produto que constrói.
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