Funil de conversão: o que é, como montar e onde as pessoas param
Funil de conversão é a sequência de etapas que alguém percorre no seu site até fazer o que interessa ao negócio, com a contagem de quantas pessoas chegam a cada etapa. A pergunta que ele responde não é quantas visitas você teve, e sim em que degrau você perdeu as pessoas que não converteram.
Funil de conversão é um relatório, e antes disso é uma decisão: quais são as etapas que importam entre a chegada e o resultado. Este guia mostra como escolher essas etapas, como o Google Analytics 4 e o GoLoop montam o funil, como ler a queda entre uma etapa e outra, e o que fazer com a lista de quem parou no meio do caminho.
Neste artigo
O que é funil de conversão?
Funil de conversão é a representação, em etapas ordenadas, do caminho entre a primeira ação de uma pessoa no site e a conversão. O nome vem do desenho: muita gente entra no topo, e a cada etapa uma parte desiste, até sobrar no fundo quem converteu. Conversão aqui é o que você definiu como resultado: enviar um formulário, agendar, comprar, pedir orçamento.
O funil se diferencia de outros relatórios por uma coisa: ele mede pessoas em relação à etapa anterior, e não visitas soltas. Cem pessoas viram a página de preço, quarenta abriram o formulário, doze enviaram. A leitura útil não é "doze envios", e sim "de cem, sessenta pararam antes do formulário e vinte e oito pararam dentro dele". É um relatório de perda, e é por isso que ele diz onde mexer.
Vale separar dois termos que se misturam. Funil de vendas costuma descrever o processo comercial inteiro, de lead a contrato, com etapas que acontecem fora do site. Funil de conversão é o recorte que o site consegue medir sozinho: página vista, evento disparado, formulário enviado. Este artigo trata do segundo.
Quais etapas entram no funil?
A etapa é uma condição que a pessoa cumpre. As mais comuns em um site de serviço ou produto são quatro ou cinco, nesta ordem:
- Chegou ao site, por qualquer canal ou por uma campanha específica.
- Viu a página que interessa: produto, preço, planos, serviço.
- Abriu o caminho da conversão: clicou em "agendar", começou a preencher o formulário, adicionou ao carrinho.
- Converteu: enviou, agendou, pagou.
- Voltou ou repetiu, quando o negócio depende de recorrência.
Duas regras ajudam a escolher. A primeira: cada etapa precisa ser algo que o site registra, ou seja, uma página vista ou um evento do catálogo. "Ficou interessado" não é etapa; "viu a página de preço por mais de trinta segundos" é. A segunda: menos etapas leem melhor. O GA4 permite até dez, mas um funil de quatro etapas com quedas claras vale mais do que um de dez em que a perda se dilui.
Uma etapa que muita gente esquece é a de origem. Colocar "chegou pela campanha X" como primeira etapa transforma o funil em uma comparação de canais: o mesmo caminho, medido só para quem veio do anúncio, ou só para quem veio de busca orgânica. É a forma mais barata de descobrir se um canal traz gente que converte ou só gente que clica. Se a campanha foi montada com um gerador de UTM, a etapa já existe pronta.
Como montar um funil de conversão no GA4?
No Google Analytics 4 o funil fica em Explorar, no modelo "Exploração de funil". A documentação do Google define os dois modos: no funil aberto "os usuários podem entrar em qualquer etapa"; no funil fechado "a entrada acontece na primeira etapa". Para medir um caminho, o fechado é o que faz sentido; o aberto serve para ver quanta gente entra no meio.
As etapas seguem a ordem: "os usuários são contabilizados nas etapas que eles concluem na sequência especificada", e "se o usuário perder uma etapa, ele vai sair do funil e não será contabilizado em nenhuma etapa seguinte". Cada etapa pode ter um prazo, no controle "Em até", que define quanto tempo depois da anterior ela precisa acontecer. O limite é de dez etapas e de quatro segmentos aplicados ao mesmo tempo.
Há uma restrição que pega quem monta funil de ciclo longo. A retenção de dados do plano gratuito é de 2 ou 14 meses, e essa configuração, nas palavras do Google, "afeta apenas as análises detalhadas e os relatórios de funil". Um funil que olha 18 meses para trás, no plano gratuito, não encontra o começo do período. Os relatórios padrão agregados não sofrem disso; a exploração de funil sofre.
Como montar um funil de conversão no GoLoop?
No funil do GoLoop cada etapa é uma condição escolhida entre seis tipos, e o funil conta pessoas, não sessões:
| Tipo de etapa | O que a pessoa precisa ter feito |
|---|---|
| Evento | disparou um evento do catálogo, como enviar um formulário |
| Página | viu uma página, por caminho exato ou por trecho |
| Origem | chegou por um canal, como busca orgânica ou tráfego pago |
| Campanha | entrou por uma campanha do gerador de UTM |
| Identificação | deixou de ser anônima em algum ponto |
| Comportamento | voltou N vezes ou ficou N segundos |
Fonte: documentação do GoLoop, página de Funil, setembro de 2026.
Duas escolhas mudam a leitura. Ordem estrita conta só quem cumpriu as etapas na sequência escrita; é o certo quando a sequência tem significado, como "viu o preço, depois agendou". Sem ordem estrita, a pessoa entra tendo cumprido as condições em qualquer ordem, o que serve para etapas que são sinais de interesse independentes. Mesma sessão exige que tudo aconteça numa visita só; aceitar que a jornada atravesse visitas é o que mede um ciclo de decisão de dias ou semanas sem estreitar o funil artificialmente.
O resultado mostra, por etapa, quantas pessoas chegaram, a conversão em relação à anterior e o tempo médio entre etapas. E cada etapa abre a lista das pessoas que chegaram até ali, com a ficha de cada visitante. Não é preciso programar nada para etapas de página, origem, campanha e identificação; etapas de evento dependem de o evento estar no catálogo, o que o rastreamento padrão já cobre para clique, rolagem e envio de formulário.
Como ler a taxa de abandono entre etapas?
Taxa de abandono é a porcentagem de pessoas que não seguiram da etapa atual para a seguinte. A documentação do GA4 sobre relatórios de funil usa este exemplo: 200 usuários começam a sessão, 140 veem um produto, e o abandono da primeira etapa é de 60 usuários, ou 30%. A taxa de retenção é o inverso, 70%.
O número que interessa é a maior queda, não a conversão total. Um funil de 100 para 12 pode perder 60 na primeira transição e 28 na segunda, ou 10 na primeira e 78 na segunda. A conversão final é a mesma; o problema é outro. No primeiro caso a página que interessa não convence; no segundo o formulário ou o checkout espanta.
O tempo entre etapas conta a outra metade. Uma transição com conversão alta e dias de intervalo indica um processo que depende de alguém lembrar de voltar. Isso pede um lembrete, ou um alerta de jornada para a equipe, e não um redesenho de página.
Três cuidados ao comparar taxas:
- Compare a mesma etapa antes e depois de uma mudança, e não funis diferentes.
- Confira o período: funil de sete dias em ciclo de decisão de três semanas subestima a conversão.
- Separe canais. A taxa média esconde um canal que converte muito e outro que só traz clique.
Onde as pessoas costumam parar?
O ponto do funil que tem medição pública consolidada é o carrinho de compra. O Baymard Institute mantém uma compilação de 50 estudos sobre abandono de carrinho, atualizada em setembro de 2025, e a média documentada é de 70,22%: de cada dez pessoas que colocam algo no carrinho, sete saem sem comprar.

Fonte: Baymard Institute, estudo quantitativo com compradores que abandonaram o checkout, excluindo quem só estava olhando; atualizado em setembro de 2025.
Os motivos, no estudo da Baymard, são operacionais, e não de interesse: custos extras como frete e taxas (40%), entrega lenta (20%), medo de informar o cartão (19%), obrigação de criar conta (18%), checkout longo ou complicado (17%) e erro no site (17%). Nenhum deles aparece em um relatório de visitas. Todos aparecem num funil, como a queda entre "adicionou ao carrinho" e "pagou".
Para sites que não vendem no checkout, o padrão se repete em outra etapa: a transição entre ver a página que interessa e começar o formulário. Não há benchmark público confiável para essa taxa, e desconfie de quem cita um; o número certo é o do seu site, medido antes e depois de cada mudança.
O que fazer com quem parou no meio?
Um funil que só produz uma porcentagem é um relatório. Um funil que produz uma lista é trabalho. A diferença está em conseguir abrir a etapa e ver quem chegou até ali.
Quando a pessoa já se identificou, por ter preenchido um formulário em alguma visita, a lista de quem viu a página de preço e não agendou nos últimos sete dias é uma lista de contatos para retomar. Quando ela ainda é anônima, a lista mostra o que essas pessoas têm em comum: por onde chegaram, quais páginas viram, quanto tempo levaram. É o material para decidir o que mudar.
O ciclo que funciona é curto: escolha a maior queda, faça uma mudança só, meça a mesma transição pelo mesmo período, compare. Se a etapa final é uma meta do mês, o funil diz por que ela não está sendo batida, e a meta diz se a correção foi suficiente.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre funil e meta?
A meta é o número que você persegue no período, como quarenta agendamentos no mês. O funil é o caminho até esse número, etapa por etapa. A meta diz se você vai chegar; o funil diz por que não está chegando.
O funil conta pessoas ou sessões?
No GoLoop, pessoas: quem percorre a mesma etapa cinco vezes conta uma vez. No GA4, a exploração de funil também trabalha com usuários, e o exemplo da própria documentação fala em 200 usuários que começam uma sessão.
Dá para medir uma jornada que leva semanas?
Sim, desde que o funil não exija que tudo aconteça na mesma sessão e a janela de conclusão seja compatível com o ciclo de venda. No GA4, lembre que a retenção do plano gratuito limita a exploração a 2 ou 14 meses.
Preciso programar para criar um funil?
Não, se os eventos que você quer usar como etapa já estão no catálogo. Etapas de página, origem, campanha e identificação funcionam com o rastreamento padrão. Só um evento que acontece fora da tela, como um pagamento aprovado no seu sistema, exige integração.
Quantas etapas um funil deve ter?
Entre três e cinco costuma bastar. O GA4 aceita até dez, mas cada etapa a mais divide a perda em pedaços menores e dificulta ver onde está o problema.
O próximo passo
Monte um funil de quatro etapas hoje, com a página que interessa e a conversão no fim, e olhe só a maior queda. É ali que a próxima mudança do site vai ter efeito, e é o número do funil de conversão que precisa estar na sua cabeça.
Cícero Moura
Cícero Moura é fundador da GoLoop. Escreve sobre jornada do visitante, funil e o que os números do site realmente dizem, a partir do produto que constrói.
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