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Funil de conversão: o que é, como montar e onde as pessoas param

Por Cícero Moura10 min de leitura

Funil de conversão é a sequência de etapas que alguém percorre no seu site até fazer o que interessa ao negócio, com a contagem de quantas pessoas chegam a cada etapa. A pergunta que ele responde não é quantas visitas você teve, e sim em que degrau você perdeu as pessoas que não converteram.

Funil de conversão é um relatório, e antes disso é uma decisão: quais são as etapas que importam entre a chegada e o resultado. Este guia mostra como escolher essas etapas, como o Google Analytics 4 e o GoLoop montam o funil, como ler a queda entre uma etapa e outra, e o que fazer com a lista de quem parou no meio do caminho.

Neste artigo
Capa abstrata em gradiente fractal azul e verde-azulado, com textura de ruido, para o artigo sobre funil de conversão.

O que é funil de conversão?

Funil de conversão é a representação, em etapas ordenadas, do caminho entre a primeira ação de uma pessoa no site e a conversão. O nome vem do desenho: muita gente entra no topo, e a cada etapa uma parte desiste, até sobrar no fundo quem converteu. Conversão aqui é o que você definiu como resultado: enviar um formulário, agendar, comprar, pedir orçamento.

O funil se diferencia de outros relatórios por uma coisa: ele mede pessoas em relação à etapa anterior, e não visitas soltas. Cem pessoas viram a página de preço, quarenta abriram o formulário, doze enviaram. A leitura útil não é "doze envios", e sim "de cem, sessenta pararam antes do formulário e vinte e oito pararam dentro dele". É um relatório de perda, e é por isso que ele diz onde mexer.

Vale separar dois termos que se misturam. Funil de vendas costuma descrever o processo comercial inteiro, de lead a contrato, com etapas que acontecem fora do site. Funil de conversão é o recorte que o site consegue medir sozinho: página vista, evento disparado, formulário enviado. Este artigo trata do segundo.

Quais etapas entram no funil?

A etapa é uma condição que a pessoa cumpre. As mais comuns em um site de serviço ou produto são quatro ou cinco, nesta ordem:

  1. Chegou ao site, por qualquer canal ou por uma campanha específica.
  2. Viu a página que interessa: produto, preço, planos, serviço.
  3. Abriu o caminho da conversão: clicou em "agendar", começou a preencher o formulário, adicionou ao carrinho.
  4. Converteu: enviou, agendou, pagou.
  5. Voltou ou repetiu, quando o negócio depende de recorrência.

Duas regras ajudam a escolher. A primeira: cada etapa precisa ser algo que o site registra, ou seja, uma página vista ou um evento do catálogo. "Ficou interessado" não é etapa; "viu a página de preço por mais de trinta segundos" é. A segunda: menos etapas leem melhor. O GA4 permite até dez, mas um funil de quatro etapas com quedas claras vale mais do que um de dez em que a perda se dilui.

Uma etapa que muita gente esquece é a de origem. Colocar "chegou pela campanha X" como primeira etapa transforma o funil em uma comparação de canais: o mesmo caminho, medido só para quem veio do anúncio, ou só para quem veio de busca orgânica. É a forma mais barata de descobrir se um canal traz gente que converte ou só gente que clica. Se a campanha foi montada com um gerador de UTM, a etapa já existe pronta.

Como montar um funil de conversão no GA4?

No Google Analytics 4 o funil fica em Explorar, no modelo "Exploração de funil". A documentação do Google define os dois modos: no funil aberto "os usuários podem entrar em qualquer etapa"; no funil fechado "a entrada acontece na primeira etapa". Para medir um caminho, o fechado é o que faz sentido; o aberto serve para ver quanta gente entra no meio.

As etapas seguem a ordem: "os usuários são contabilizados nas etapas que eles concluem na sequência especificada", e "se o usuário perder uma etapa, ele vai sair do funil e não será contabilizado em nenhuma etapa seguinte". Cada etapa pode ter um prazo, no controle "Em até", que define quanto tempo depois da anterior ela precisa acontecer. O limite é de dez etapas e de quatro segmentos aplicados ao mesmo tempo.

Há uma restrição que pega quem monta funil de ciclo longo. A retenção de dados do plano gratuito é de 2 ou 14 meses, e essa configuração, nas palavras do Google, "afeta apenas as análises detalhadas e os relatórios de funil". Um funil que olha 18 meses para trás, no plano gratuito, não encontra o começo do período. Os relatórios padrão agregados não sofrem disso; a exploração de funil sofre.

Como montar um funil de conversão no GoLoop?

No funil do GoLoop cada etapa é uma condição escolhida entre seis tipos, e o funil conta pessoas, não sessões:

Tipo de etapaO que a pessoa precisa ter feito
Eventodisparou um evento do catálogo, como enviar um formulário
Páginaviu uma página, por caminho exato ou por trecho
Origemchegou por um canal, como busca orgânica ou tráfego pago
Campanhaentrou por uma campanha do gerador de UTM
Identificaçãodeixou de ser anônima em algum ponto
Comportamentovoltou N vezes ou ficou N segundos

Fonte: documentação do GoLoop, página de Funil, setembro de 2026.

Duas escolhas mudam a leitura. Ordem estrita conta só quem cumpriu as etapas na sequência escrita; é o certo quando a sequência tem significado, como "viu o preço, depois agendou". Sem ordem estrita, a pessoa entra tendo cumprido as condições em qualquer ordem, o que serve para etapas que são sinais de interesse independentes. Mesma sessão exige que tudo aconteça numa visita só; aceitar que a jornada atravesse visitas é o que mede um ciclo de decisão de dias ou semanas sem estreitar o funil artificialmente.

O resultado mostra, por etapa, quantas pessoas chegaram, a conversão em relação à anterior e o tempo médio entre etapas. E cada etapa abre a lista das pessoas que chegaram até ali, com a ficha de cada visitante. Não é preciso programar nada para etapas de página, origem, campanha e identificação; etapas de evento dependem de o evento estar no catálogo, o que o rastreamento padrão já cobre para clique, rolagem e envio de formulário.

Como ler a taxa de abandono entre etapas?

Taxa de abandono é a porcentagem de pessoas que não seguiram da etapa atual para a seguinte. A documentação do GA4 sobre relatórios de funil usa este exemplo: 200 usuários começam a sessão, 140 veem um produto, e o abandono da primeira etapa é de 60 usuários, ou 30%. A taxa de retenção é o inverso, 70%.

O número que interessa é a maior queda, não a conversão total. Um funil de 100 para 12 pode perder 60 na primeira transição e 28 na segunda, ou 10 na primeira e 78 na segunda. A conversão final é a mesma; o problema é outro. No primeiro caso a página que interessa não convence; no segundo o formulário ou o checkout espanta.

O tempo entre etapas conta a outra metade. Uma transição com conversão alta e dias de intervalo indica um processo que depende de alguém lembrar de voltar. Isso pede um lembrete, ou um alerta de jornada para a equipe, e não um redesenho de página.

Três cuidados ao comparar taxas:

  • Compare a mesma etapa antes e depois de uma mudança, e não funis diferentes.
  • Confira o período: funil de sete dias em ciclo de decisão de três semanas subestima a conversão.
  • Separe canais. A taxa média esconde um canal que converte muito e outro que só traz clique.

Onde as pessoas costumam parar?

O ponto do funil que tem medição pública consolidada é o carrinho de compra. O Baymard Institute mantém uma compilação de 50 estudos sobre abandono de carrinho, atualizada em setembro de 2025, e a média documentada é de 70,22%: de cada dez pessoas que colocam algo no carrinho, sete saem sem comprar.

Gráfico: motivos de abandono de carrinho, com custos extras em primeiro, citados por 40% de quem desistiu no checkout

Fonte: Baymard Institute, estudo quantitativo com compradores que abandonaram o checkout, excluindo quem só estava olhando; atualizado em setembro de 2025.

Os motivos, no estudo da Baymard, são operacionais, e não de interesse: custos extras como frete e taxas (40%), entrega lenta (20%), medo de informar o cartão (19%), obrigação de criar conta (18%), checkout longo ou complicado (17%) e erro no site (17%). Nenhum deles aparece em um relatório de visitas. Todos aparecem num funil, como a queda entre "adicionou ao carrinho" e "pagou".

Para sites que não vendem no checkout, o padrão se repete em outra etapa: a transição entre ver a página que interessa e começar o formulário. Não há benchmark público confiável para essa taxa, e desconfie de quem cita um; o número certo é o do seu site, medido antes e depois de cada mudança.

O que fazer com quem parou no meio?

Um funil que só produz uma porcentagem é um relatório. Um funil que produz uma lista é trabalho. A diferença está em conseguir abrir a etapa e ver quem chegou até ali.

Quando a pessoa já se identificou, por ter preenchido um formulário em alguma visita, a lista de quem viu a página de preço e não agendou nos últimos sete dias é uma lista de contatos para retomar. Quando ela ainda é anônima, a lista mostra o que essas pessoas têm em comum: por onde chegaram, quais páginas viram, quanto tempo levaram. É o material para decidir o que mudar.

O ciclo que funciona é curto: escolha a maior queda, faça uma mudança só, meça a mesma transição pelo mesmo período, compare. Se a etapa final é uma meta do mês, o funil diz por que ela não está sendo batida, e a meta diz se a correção foi suficiente.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre funil e meta?

A meta é o número que você persegue no período, como quarenta agendamentos no mês. O funil é o caminho até esse número, etapa por etapa. A meta diz se você vai chegar; o funil diz por que não está chegando.

O funil conta pessoas ou sessões?

No GoLoop, pessoas: quem percorre a mesma etapa cinco vezes conta uma vez. No GA4, a exploração de funil também trabalha com usuários, e o exemplo da própria documentação fala em 200 usuários que começam uma sessão.

Dá para medir uma jornada que leva semanas?

Sim, desde que o funil não exija que tudo aconteça na mesma sessão e a janela de conclusão seja compatível com o ciclo de venda. No GA4, lembre que a retenção do plano gratuito limita a exploração a 2 ou 14 meses.

Preciso programar para criar um funil?

Não, se os eventos que você quer usar como etapa já estão no catálogo. Etapas de página, origem, campanha e identificação funcionam com o rastreamento padrão. Só um evento que acontece fora da tela, como um pagamento aprovado no seu sistema, exige integração.

Quantas etapas um funil deve ter?

Entre três e cinco costuma bastar. O GA4 aceita até dez, mas cada etapa a mais divide a perda em pedaços menores e dificulta ver onde está o problema.

O próximo passo

Monte um funil de quatro etapas hoje, com a página que interessa e a conversão no fim, e olhe só a maior queda. É ali que a próxima mudança do site vai ter efeito, e é o número do funil de conversão que precisa estar na sua cabeça.

Cícero Moura

Cícero Moura é fundador da GoLoop. Escreve sobre jornada do visitante, funil e o que os números do site realmente dizem, a partir do produto que constrói.

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