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Link UTM: como ler cada parte, onde ele quebra e como depurar

Por Cícero Moura14 min de leitura

Link UTM é uma URL comum com parâmetros acrescentados depois do ponto de interrogação, como utm_source, utm_medium e utm_campaign, que dizem à ferramenta de análise de onde a visita veio. Ler o link é ler esses pares de nome e valor; depurar é descobrir em qual deles o relatório parou de entender.

Link UTM é o nome que o mercado dá ao link de campanha pronto: o endereço da página mais a etiqueta que identifica a origem. O artigo sobre o gerador de UTM explica como montar esse link. Este explica como ler um link que já existe: o que cada pedaço faz, o que muda com a ordem, com a maiúscula, com o espaço e com o acento, o que o redirecionamento faz com ele, o que o Google Analytics 4 faz com cada parte e o que o link curto do GoLoop acrescenta por cima.

Neste artigo
Capa abstrata em gradiente fractal laranja e verde-azulado, com textura de ruido, para o artigo sobre link utm.

Um link UTM é uma URL normal com uma etiqueta de origem presa ao fim. A etiqueta são parâmetros de nome fixo, começando por utm_, que a ferramenta de análise lê quando a página carrega. Sem eles, a ferramenta tenta adivinhar a origem pelo referrer, o endereço da página anterior que o navegador informa; com eles, a origem vem escrita no próprio link.

Um exemplo completo:

https://loja.com.br/tenis?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=volta-as-aulas

A documentação do Google Analytics 4 lista nove parâmetros e diz quais são obrigatórios: "Ao adicionar parâmetros a um URL, você deve usar sempre utm_source, utm_medium e utm_campaign." Origem (de onde), meio (por qual tipo de canal) e campanha (qual ação). Os outros refinam: utm_term para a palavra-chave paga, utm_content para diferenciar criativos, utm_id para o identificador da campanha. Os três restantes da lista, utm_source_platform, utm_creative_format e utm_marketing_tactic, existem na documentação, e a mesma página avisa que os dois últimos não são informados nas propriedades do GA4.

O link UTM não muda a página. O servidor ignora o que não conhece, a página abre igual, e o visitante vê os parâmetros na barra de endereço. Quem lê é o script de análise, no navegador, no momento da chegada. Essa é a raiz de toda quebra descrita neste guia: qualquer coisa que altere a URL entre o clique e o carregamento do script altera o que ele lê.

A URL tem uma gramática, definida na RFC 3986, o documento de janeiro de 2005 que padroniza o formato: esquema, autoridade, caminho, consulta e fragmento, nesta ordem, com ? abrindo a consulta e # abrindo o fragmento. Lendo o exemplo da esquerda para a direita:

  1. https://: o esquema. Diz ao navegador como falar com o servidor.
  2. loja.com.br: o domínio, ou autoridade. Para a UTM, importa por uma razão: se o link redireciona para outro domínio, a leitura muda, como a seção sobre redirecionamento mostra.
  3. /tenis: o caminho, a página que vai abrir. É o que o relatório de páginas mostra.
  4. ?: o começo da consulta. Tudo depois dele, até um # ou o fim, é a lista de parâmetros.
  5. utm_source=newsletter: o primeiro par. Nome à esquerda do =, valor à direita.
  6. &: o separador entre pares.
  7. utm_medium=email e utm_campaign=volta-as-aulas: os outros pares. A documentação do Google descreve o formato assim: "separe os parâmetros do URL com um ponto de interrogação. Liste os parâmetros e os valores como pares separados por um sinal de igualdade. Separe cada par de parâmetro e valor com o símbolo &".
  8. #secao, quando existe: o fragmento. Aponta para um trecho da página e, pela seção 3.5 da RFC, é separado do restante da URI antes da requisição e tratado só pelo navegador. O que estiver depois dele não é parâmetro.

A leitura útil é responder três perguntas com o link na mão: de onde (utm_source), por qual canal (utm_medium) e para qual ação (utm_campaign). Se um dos três falta, o relatório de aquisição do GA4 mostra "(not set)" naquela dimensão, como a seção sobre o GA4 detalha.

Um caso que a anatomia resolve na hora é o link que já tinha parâmetro antes da UTM. https://loja.com.br/busca?q=tenis já tem a consulta aberta; a UTM entra com &, e nunca com um segundo ?. Escrito errado, ...?q=tenis?utm_source=newsletter&utm_medium=email, o valor de q passa a ser tenis?utm_source=newsletter, a origem some e só o meio sobrevive. A busca da loja ainda funciona, o que esconde o erro por semanas.

A ordem dos parâmetros e as maiúsculas importam?

A ordem, não. A documentação do GA4 é direta: "Você pode adicionar parâmetros a um URL em qualquer ordem." utm_campaign antes de utm_source lê igual. O que importa é o par nome e valor, não a posição.

As maiúsculas, sim, e é a quebra que menos parece quebra. Pela mesma página, "Os valores dos parâmetros diferenciam maiúsculas de minúsculas. Por exemplo, utm_source=google é diferente de utm_source=Google." Newsletter e newsletter são duas origens no relatório, cada uma com uma parte das visitas. A regra prática é uma só: tudo em minúsculas, sempre, inclusive o que alguém digita à mão num aplicativo de mensagem.

Três outras leituras que a anatomia esclarece:

  • Parâmetro repetido. utm_source=a&utm_source=b é ambíguo; cada ferramenta escolhe o primeiro ou o último, e a documentação do GA4 não diz qual. Não repita.
  • Parâmetro vazio. utm_campaign= existe e não tem valor. No relatório aparece vazio ou como "(not set)", conforme a ferramenta.
  • Nome errado. utm_sorce, utm-source, utm source. O nome também é literal, e a documentação escreve todos em minúsculas com sublinhado; nada fora disso é lido como origem. É o erro que só aparece quando alguém lê o link letra por letra.

Não entram como estão. Uma URL só aceita, sem tradução, o conjunto de caracteres que a RFC 3986 chama de não reservados: letras sem acento, dígitos, hífen, ponto, sublinhado e til. Todo o resto precisa ser codificado em percentual: o caractere vira % seguido do código do byte, e o espaço vira %20. É a regra da seção 2.1 da RFC, que descreve a codificação percentual como o mecanismo para representar um byte cujo caractere está fora do conjunto permitido.

Na prática, utm_campaign=volta às aulas chega ao relatório como volta%20%C3%A0s%20aulas, porque o navegador codifica sozinho: o espaço vira %20, e o "à" vira dois bytes em UTF-8, %C3%A0. O GA4 registra o valor como recebeu. O relatório fica legível para máquina e ilegível para gente.

Há uma segunda codificação, e é ela que confunde: formulários de HTML codificam o espaço como +, e não como %20. É a regra do padrão URL da WHATWG, o documento que os navegadores seguem, atualizado em setembro de 2026, para o formato application/x-www-form-urlencoded. Um gerador que usa essa codificação entrega volta+as+aulas; outro entrega volta%20as%20aulas. Para a ferramenta de análise, podem ser dois valores.

A saída é não precisar de codificação: minúsculas, sem acento, sem espaço, com hífen entre palavras. volta-as-aulas é lido igual em todo lugar, cabe num QR Code e não depende de qual ferramenta codificou. Um gerador de UTM que escreve o nome da campanha a partir de um cadastro, e não do que alguém digitou, resolve isso antes de o link existir.

Depende de quem redireciona, e é por isso que o link UTM quebra em silêncio. Redirecionamento é o servidor responder ao clique com "o endereço agora é outro", e o navegador ir para o novo endereço. O script de análise só roda na página final. Se o novo endereço vier sem a consulta, a UTM ficou no caminho, e a visita chega como se tivesse vindo de lugar nenhum.

Os casos típicos:

  • http para https, ou sem www para com www. Redirecionamentos de servidor que costumam preservar a consulta, mas não por obrigação: depende da regra escrita na configuração.
  • Página antiga para página nova. Uma regra de "301 de /promo para /tenis" escrita sem repetir a consulta perde tudo o que vinha depois do ?.
  • Encurtador ou domínio intermediário. O link passa por um terceiro antes de chegar. A documentação de URLs finais do Google Ads chama isso de redirecionamento entre domínios: a pessoa passa por um site com outro domínio antes ou depois de chegar à página de destino.
  • Redirecionamento por JavaScript ou por meta refresh, dentro da própria página. O script de análise pode rodar antes ou depois da troca; se rodar depois, na página nova, a UTM já sumiu.

A documentação legada do Google Analytics, da época do Universal Analytics, já dizia sobre anúncios: marque as URLs finais reais com os parâmetros, porque um redirecionamento de uma URL final para outra URL com parâmetros faz o dado não chegar ao Analytics. A página atual sobre UTM não repete a frase, e isso vale registro: o problema vem do funcionamento da URL, não de uma opção de configuração do GA4.

O teste é curto. Clique no link, espere a página abrir e olhe a barra de endereço. Se a UTM não está lá, o script não a leu. Se a página final é outra, procure a regra de redirecionamento e faça-a repetir a consulta, ou marque a URL final, e não a intermediária.

Lê os parâmetros no primeiro evento da sessão e os grava como dimensões de origem de tráfego. A documentação de sessões do GA4 diz que o evento session_start carrega a informação que determina a atribuição da sessão, como o gclid, os parâmetros UTM e o referrer, e que, por padrão, a sessão encerra depois de 30 minutos sem atividade.

A partir daí, três regras da documentação de dimensões de origem de tráfego explicam o que cada parte vira:

  1. UTM presente, tudo vem da UTM. Se qualquer parâmetro UTM estiver presente na URL, o Google Analytics deriva todos os valores das dimensões de origem de tráfego exclusivamente dos parâmetros UTM. O referrer é ignorado.
  2. UTM faltando vira (not set). A recomendação da página é definir todos os parâmetros relevantes, especialmente utm_source, utm_medium, utm_campaign, utm_id e utm_source_platform, porque parâmetros UTM ausentes resultam em valores "(not set)" nos relatórios.
  3. Com gclid, ganha o gclid. Se marcação manual e marcação automática forem usadas juntas, origem, meio e as outras dimensões de classificação de tráfego usam os valores da marcação automática. Num anúncio do Google Ads com codificação automática, a UTM manual não conta para o GA4.

Depois de gravar origem e meio, o GA4 aplica as regras do grupo de canais padrão para dar nome ao canal. E-mail é origem ou meio igual a email, e-mail, e_mail ou e mail; referência é meio igual a referral, app ou link; social orgânico aceita social, social-network, social-media, sm, social network ou social media no meio; pesquisa paga exige origem num buscador da lista e meio no padrão ^(.*cp.*|ppc|retargeting|paid.*)$. Quando nenhuma regra bate, o canal é "Não atribuído", que a documentação define como o valor usado quando não há outra regra de canal correspondendo aos dados do evento.

Um link UTM tem, então, três destinos possíveis no GA4: o canal certo, "(not set)" numa dimensão, ou "Não atribuído" no canal. O artigo sobre o que o Google Analytics mostra explica por que esse relatório é agregado e não diz quem foi a pessoa que chegou pelo link.

Duas coisas que a URL longa não faz: mede o clique antes do redirecionamento e confirma a chegada depois. Pela documentação do encurtador, o redirecionador registra o clique e acrescenta à URL de destino um token de curta duração; o script do site lê o token no primeiro evento, confirma a chegada e apaga o parâmetro do endereço. A barra do navegador fica limpa, e a sessão nasce atribuída à campanha mesmo que o navegador não tenha enviado referrer nenhum.

Para quem lê o link, isso muda a depuração. O encurtador mede quatro estágios, clique, chegada confirmada, sessão iniciada e conversão posterior, e a distância entre clique e chegada é o diagnóstico: taxa de chegada muito abaixo de 100% quase sempre significa que o script não está rodando no destino, e não que ninguém chegou. É a resposta para o link que "teve trezentos cliques e nenhuma visita".

O link UTM continua valendo. A própria documentação diz que uma URL com parâmetros UTM já é atribuída corretamente, e que o link curto acrescenta um endereço que cabe onde a URL longa não cabe e a medição de clique e chegada. Quando o link curto ou o QR Code é gerado a partir do link de campanha, a campanha vai junto, e o clique do cartaz soma com o clique do e-mail na mesma tela. O token vale uma vez só: uma URL copiada e colada num grupo não transfere a atribuição para vinte pessoas.

O que o GoLoop faz com a UTM no relatório também ajuda a ler. No catálogo de páginas, parâmetros de campanha não multiplicam a mesma página em várias linhas; em Atividades, abrir um evento mostra a sessão, a página anterior e as UTMs capturadas. É o lugar para conferir, evento a evento, o que chegou de fato.

Na ordem em que as quebras acontecem, do link ao relatório:

  1. Leia o link letra por letra. Um ? só, & entre os pares, nomes utm_source, utm_medium e utm_campaign em minúsculas, sem espaço e sem acento nos valores.
  2. Clique e olhe a barra de endereço da página final. Se a UTM sumiu, há redirecionamento no caminho. Corrija a regra para repetir a consulta ou marque a URL final.
  3. Confira se o script carrega nessa página. Bloqueador de anúncio, tag colada em outro template ou chave errada derrubam a leitura sem erro visível. Em Ao Vivo, a própria visita deve aparecer com a campanha.
  4. Confira o meio contra a regra do canal. utm_medium=newsletter não é e-mail para o GA4; email é. Meio fora da lista vai para "Não atribuído".
  5. Procure a variação. Duas grafias da mesma campanha são duas linhas no relatório; some as duas antes de concluir que a campanha rendeu pouco.
  6. Separe robô de gente. Um link colado num grupo gera pré-visualizações antes de qualquer clique humano; o GoLoop conta esse tráfego à parte, e o número de cliques que você lê é de pessoas.

Se os seis passos passam e o relatório continua vazio, o problema é de período ou de atraso de processamento, não do link. E se a pergunta é o que a campanha rendeu além da chegada, o passo seguinte é um funil com a campanha como primeira etapa.

Perguntas frequentes

utm_id substitui utm_campaign?

Não. Na documentação, utm_id é o identificador usado para reconhecer uma campanha ou promoção específica, e serve para ligar a campanha a um cadastro; utm_campaign continua obrigatório e é o nome que aparece nos relatórios.

Posso pôr a UTM depois do "#"?

Não. Pela RFC 3986, o fragmento não faz parte da consulta e é tratado só pelo navegador, e a documentação do GA4 não diz que lê parâmetros depois do "#". O seguro é manter todos os parâmetros antes dele.

O próximo passo

Pegue o link da última campanha, clique nele e compare a barra de endereço com o link original. Se os dois são iguais e o meio está na lista do canal, o link UTM está certo, e o que sobra para depurar está no site, não no link.

Cícero Moura

Cícero Moura é fundador da GoLoop. Escreve sobre jornada do visitante, funil e o que os números do site realmente dizem, a partir do produto que constrói.

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