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Encurtador de links gratuito: o que ele entrega e o que ele esconde

Por Cícero Moura15 min de leitura

Encurtador de links gratuito é o plano sem custo de serviços como Bitly, TinyURL, Rebrandly, Cuttly e Short.io: ele encurta e conta cliques, mas limita quantos links você cria por mês, em três dos cinco planos conferidos aqui impede trocar o destino depois, e guarda pouca ou nenhuma estatística. O que ele esconde é o que acontece depois do clique.

Encurtador de links gratuito é a porta de entrada dos serviços de link curto, e é por ela que se conhece o produto. Este comparativo pega a página oficial de preços de cinco serviços conhecidos, anota o que o plano grátis de cada um limita (links por mês, domínio, troca de destino, estatística, expiração), mostra os dois riscos que nenhuma tabela de preços exibe, o serviço que fecha e o destino que some, e termina com o que um link curto precisa medir para servir a uma campanha.

Neste artigo
Capa fractal roxo e verde-azulado, ruido, artigo sobre encurtador de links gratuito.

Um encurtador de links transforma uma URL longa em um endereço curto que redireciona para ela. O gratuito é o plano de entrada desses serviços: você cria a conta, cola o link e recebe algo como bit.ly/abc123. Quem clica passa pelo servidor do encurtador, que registra o clique e manda a pessoa para o destino.

O serviço faz três coisas, e vale separar as três, porque o plano grátis limita cada uma de um jeito:

  • Encurta. O endereço cabe na bio do Instagram, no cartaz e na mensagem de WhatsApp.
  • Redireciona. O endereço curto aponta para o destino; em alguns planos, esse destino pode ser trocado depois.
  • Conta. Cada passagem pelo redirecionador vira um clique na estatística.

Na prática, o grátis entrega bem a primeira, entrega a segunda sem a troca de destino e entrega a terceira só em parte. O resto deste artigo mostra onde cada limite mora, com a página oficial de preços de cada serviço como fonte, consultada em setembro de 2026. Preço e limite mudam; o que vale é a página no dia em que você for assinar.

O que o plano grátis de cada encurtador limita?

Cinco serviços conhecidos, cinco planos gratuitos. A tabela abaixo é o que a página de preços de cada um diz no momento da redação, setembro de 2026. Onde a página mostra um traço em vez de texto, a célula diz "não"; onde mostra só um ícone, a célula diz "não informado em texto".

Serviço (plano grátis)Links por mêsDomínioTrocar destinoEstatísticasExpiração programada
Bitly5nãonãoconta cliques, sem históriconão
Rebrandly101 endereço .bio e rebrand.lynãoestatística de até 100 cliques por mêsnão
TinyURL301não informado em textosem cliques rastreados e sem históriconão informado em texto; o link nunca expira por padrão
Cuttly301nãoúltimos 30 diasnão
Short.io1.000 no total da conta5sim50.000 cliques por mêsnão

Fonte: páginas oficiais de preços de Bitly, Rebrandly, TinyURL, Cuttly e Short.io, consultadas em 16 de setembro de 2026.

Gráfico: links curtos por mês no plano grátis, de 5 no Bitly a 30 no TinyURL e no Cuttly, pela página de preços de cada um

Fonte: páginas oficiais de preços de Bitly, Rebrandly, TinyURL e Cuttly, consultadas em setembro de 2026. O Short.io ficou fora do gráfico porque o limite dele, 1.000 links, é por conta, e não por mês.

Alguns detalhes que a tabela comprime:

  • No Bitly, o plano Free anuncia "5 links/month", "2 QR Codes/month" e "3 custom back-halves/month". A linha "Custom Redirects", que é trocar o destino, marca um traço no Free e "5/mo" no Core, o primeiro plano pago, de US$ 10 por mês cobrados no ano. O histórico de dados ("Data History") também é traço no Free e "30 days" no Core, segundo a página de preços.
  • No Rebrandly, o Free dá "10 Links/Mo" e um endereço no formato yourbrand.bio, além do rebrand.ly. A edição de destino aparece como "10 Link Destination Edits/Mo" só no Essentials, de US$ 11 por mês (US$ 8 no anual), e a expiração de link começa no Professional, conforme a página de preços.
  • No TinyURL, o Free tem 30 links por mês e 1 domínio, mas as colunas "Tracked Clicks" e "Link Analytics History" ficam vazias no grátis; o Pro, de US$ 9 por mês, é descrito na página de preços como acesso a "advanced link analytics, editing and management". A tabela marca a edição de destino com ícone, sem texto, e por isso a célula acima diz "não informado".
  • No Cuttly, o Free dá 30 links e 1 domínio, guarda estatística dos últimos 30 dias ("only the last 30 days are saved") e a "Editable redirection" só entra no Starter, de US$ 12 por mês, e ainda assim "same domain": só para destino no mesmo domínio, segundo a página de preços.
  • O Short.io é a exceção: o Free aceita 5 domínios próprios, 1.000 links no total da vida da conta e 50.000 cliques por mês com estatística, e a troca de destino ("Destination URL updating") está na lista do que todo plano inclui. Expiração de link começa no Pro, de R$ 80 por mês na página em reais; o Hobby, primeiro plano pago, custa R$ 25.

A leitura em conjunto, pelas cinco páginas de preços: o grátis dá o endereço curto e um contador. Três dos cinco cobram para trocar o destino e um não informa em texto; quatro dos cinco limitam a criação a 30 links por mês ou menos; e quatro dos cinco não oferecem expiração programada de graça.

Por que trocar o destino é o recurso que fica atrás do pagamento?

Porque é o recurso que resolve o problema de quem já espalhou o link. Um QR Code impresso em mil folhetos, um link na descrição de um vídeo antigo, um endereço num e-mail que já saiu: nada disso pode ser reimpresso ou reenviado. Se a página de destino mudou, o que resta é mudar para onde o link curto aponta.

O plano grátis de Bitly, Rebrandly e Cuttly não deixa fazer isso, segundo as páginas de preços. O link nasce apontando para um endereço e morre apontando para ele. Quando a promoção acaba, o folheto continua levando para a página da promoção. Quando o site troca de estrutura, o link leva para um erro 404.

É um limite silencioso. Ninguém sente falta dele no dia em que cria o link; a falta aparece meses depois, quando o material já está na rua. E o preço de destravar é a assinatura inteira: no Bitly, o Core custa US$ 10 por mês e libera 5 trocas de destino por mês, segundo a página de preços; no Rebrandly, o Essentials libera 10.

No encurtador do GoLoop, trocar o destino é uma das razões de o recurso existir: o endereço curto continua o mesmo, só o destino muda, e o cartaz que já está na parede passa a apontar para a página nova. O que não muda é o código do link: um código já usado nunca é reaproveitado, mesmo depois de o link ser apagado, para que um folder antigo nunca caia na campanha de outra empresa. O gerador de QR Code aponta para esse link curto, e é por isso que a documentação responde "não" à pergunta "o QR Code expira?".

O link curto é um endereço que pertence a outra empresa. Se o serviço fecha, muda de regra ou apaga contas paradas, todo material que carrega aquele endereço deixa de levar a algum lugar. Não é hipótese: aconteceu com o encurtador do próprio Google.

Em julho de 2024 o Google anunciou, no blog de desenvolvedores, que os links no formato goo.gl deixariam de responder depois de 25 de agosto de 2025. Em agosto de 2025 a empresa recuou em parte: links com atividade recente continuam funcionando, e só os que estavam sem uso no fim de 2024, e que passaram a exibir um aviso, pararam na data. O anúncio, com a atualização, recomenda migrar para outro encurtador.

Dois pontos desse caso valem para qualquer serviço grátis. Primeiro: o critério de sobrevivência foi o uso, e não a assinatura; um link parado num folheto antigo era exatamente o tipo de link que morreu. Segundo: a regra mudou duas vezes em um ano, e quem tinha milhares de links espalhados não tinha controle sobre nenhuma das duas mudanças.

O destino também some. O Pew Research Center, no relatório "When Online Content Disappears", de maio de 2024, checou uma amostra de pouco menos de 1 milhão de páginas coletadas pela Common Crawl entre 2013 e 2023, cerca de 90.000 por ano: um quarto delas já não estava acessível em outubro de 2023, e das páginas de 2013, 38% não existiam mais, contra 8% das de 2023. O relatório achou ainda que 23% das páginas de notícias e 21% das páginas de governo tinham ao menos um link quebrado.

Junte as duas coisas. O link curto que não pode ser editado aponta para uma página que, pela taxa do relatório da Pew, tem chance real de sumir em poucos anos; e o próprio encurtador pode encerrar o serviço. Quem usa link curto em material durável precisa de duas garantias: poder trocar o destino e saber que o código não vai ser entregue a outra pessoa. Entre os planos gratuitos comparados, só o Short.io dá a primeira, e nenhuma das cinco páginas de preços fala da segunda.

O que o encurtador gratuito conta como clique?

Tudo que passa pelo redirecionador. E é aí que o número engana, porque parte do que passa não é gente.

Quando alguém cola um link num grupo de WhatsApp, o aplicativo busca a página para montar a pré-visualização, com título e imagem. Isso é um acesso ao link antes de qualquer clique humano. Num grupo grande, são várias pré-visualizações no primeiro minuto. Robôs de busca e monitores de disponibilidade fazem o mesmo. Um contador que soma tudo mostra trezentos cliques para um link que ninguém abriu.

Há um segundo problema, do outro lado do clique. A documentação do Google Analytics 4 sobre tráfego direto lista os encurtadores, com o bit.ly como exemplo, entre as causas de visita sem origem: eles podem remover a informação de referência no caminho. O clique existe na estatística do encurtador, e a visita chega ao site como se a pessoa tivesse digitado o endereço. As duas contagens não se falam, e a segunda é a que importa. O artigo sobre referral no Google Analytics explica como o navegador decide o que enviar de origem.

O GoLoop trata os dois problemas na fonte. O tráfego automatizado, incluindo a pré-visualização de WhatsApp e LinkedIn, é reconhecido e contado à parte, e o clique de robô fica fora das métricas do link. E o link curto mede quatro estágios em vez de um: clique, chegada confirmada (a página de destino carregou e o script confirmou), sessão iniciada e conversão posterior. A razão entre clique e chegada, a taxa de chegada, funciona como diagnóstico, segundo a documentação do recurso: perto de 100%, o destino está bem instrumentado; muito abaixo, o script não está rodando na página de destino, e a sonda de instalação é o lugar para conferir. Um encurtador que mostra só o clique não tem como levantar essa bandeira.

Basta quando o link é descartável: um post que dura um dia, um endereço num e-mail interno, um teste. Nesses casos, cinco ou trinta links por mês são suficientes, ninguém vai trocar o destino e o contador de cliques serve como curiosidade.

Deixa de bastar quando uma destas quatro condições aparece:

  1. O link vai para material que não pode ser refeito. Impresso, vídeo publicado, embalagem, cartão. Aqui trocar o destino é obrigatório, e o grátis de três dos cinco serviços não troca.
  2. O link é parte de uma campanha. Você quer saber se o clique virou visita e se a visita virou conversão. O contador do encurtador não passa do clique.
  3. Há mais de um link por semana. Com 5 links por mês no Bitly ou 10 no Rebrandly, pela página de preços de cada um, uma equipe pequena estoura o limite no segundo dia útil.
  4. O endereço precisa ser da sua marca. Domínio próprio está fora do grátis do Bitly, segundo a tabela dele; Rebrandly, TinyURL e Cuttly anunciam 1 domínio no grátis, e o Short.io, 5. O que cada um chama de domínio varia: no Rebrandly, é um endereço .bio oferecido por eles.

A quarta condição tem uma nota: no GoLoop, o endereço curto da plataforma funciona desde o primeiro dia, e domínio próprio para links curtos depende de configuração de DNS e certificado, tratada caso a caso, segundo a documentação. Não é um recurso de um clique em lugar nenhum.

Se o motivo é a campanha, o caminho é montar o link com um gerador de UTM e, a partir dele, o link curto. No GoLoop a campanha é um cadastro, e o link curto e o QR Code gerados a partir dela herdam a campanha: o clique no folheto soma com o clique no e-mail na mesma tela, e o resultado se lê por campanha, em visitas, pessoas identificadas e conversões.

Como escolher um encurtador sem se prender ao grátis?

Antes de criar a conta, responda a cinco perguntas na página de preços do serviço, e não no blog dele:

  • Quantos links por mês o plano permite, e o que acontece quando o limite chega?
  • Dá para trocar o destino depois de o link circular? Em qual plano?
  • Por quanto tempo a estatística fica guardada?
  • O que acontece com os links se a conta ficar parada ou for encerrada?
  • O código de um link apagado pode ser entregue a outro usuário?

As duas últimas não apareceram em nenhuma das cinco páginas de preços conferidas; a resposta, quando existe, fica nos termos de uso. A resposta do GoLoop para a última está na documentação: o código continua reservado para sempre, mesmo depois de o link ser apagado, e a lixeira tira o link do ar sem perder o histórico. Para a penúltima, o caso goo.gl mostra que a política pode mudar, e que link sem uso é o primeiro a morrer.

Depois de escolher, o teste é curto. Crie um link, cole num grupo de teste do WhatsApp sem clicar, e veja se o contador subiu. Se subiu, o encurtador conta pré-visualização como clique, e todo número dele daqui em diante vem inflado. Se não subiu, clique você, abra o site e confira se a visita chegou com origem no seu Google Analytics ou na tela de atividades da sua ferramenta. É um teste de dez minutos que vale mais do que a tabela de preços inteira.

Perguntas frequentes

O encurtador grátis serve para QR Code?

Serve para gerar a imagem, com limite: 2 por mês no Bitly, 10 no Rebrandly e um só estilo no Cuttly, pelas páginas de preços. O QR herda o limite do link, então um QR grátis do Bitly aponta para um destino que não pode ser trocado; no GoLoop, a imagem é relida antes do download para garantir que o código lê, porque material impresso não tem como ser desfeito.

O encurtador grátis atrapalha o Google Analytics?

Pode atrapalhar: a documentação do GA4 lista encurtadores entre as causas de tráfego sem origem. A proteção é colocar a UTM na URL de destino, e não no link curto, porque o GA4 lê os parâmetros da página aberta. Note que o Short.io vende "Referrer hiding" como recurso do plano Hobby, o oposto do que uma atribuição precisa.

O próximo passo

Abra a página de preços do encurtador que você usa hoje e procure a linha de troca de destino. Se o seu plano tem um traço ali, cada link seu que já está impresso ou publicado é um link que você não controla mais, e esse é o custo do encurtador de links gratuito que nenhuma tabela mostra.

Cícero Moura

Cícero Moura é fundador da GoLoop. Escreve sobre jornada do visitante, funil e o que os números do site realmente dizem, a partir do produto que constrói.

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