UTM Google Analytics: onde a campanha aparece e por que o número não bate
UTM Google Analytics é a ligação entre os parâmetros que você escreve no link (utm_source, utm_medium, utm_campaign) e as dimensões em que o GA4 os mostra: origem, mídia e campanha da sessão, ou do primeiro usuário. O relatório conta sessões que começaram com aqueles parâmetros, e não cliques no link, por isso os dois números nunca são iguais.
UTM Google Analytics é a dupla de que todo relatório de campanha depende, e é onde a leitura costuma se perder: o número do painel é menor que o da plataforma de anúncio, ou a campanha aparece com outro nome, ou cai em "Não atribuído". Este guia mostra em qual relatório do GA4 a UTM aparece, o que a codificação automática do Google Ads faz com ela, por que sessão e clique se afastam, e como conferir a chegada real no site. Para montar o link em si, o artigo sobre o gerador de UTM cobre os parâmetros e as regras de escrita.
Neste artigo
UTM Google Analytics: onde a campanha aparece nos relatórios?
Em dois relatórios, e eles respondem perguntas diferentes. O primeiro é Relatórios > Aquisição > Aquisição de tráfego. A documentação do GA4 o define como "um relatório detalhado predefinido criado para ajudar você a entender a origem dos visitantes do seu site e aplicativo", e avisa que cada dimensão dele "inclui a palavra 'Sessão', indicando que a dimensão descreve a sessão mais recente do usuário". É ali que a UTM aparece como você escreveu:
- Origem da sessão: o valor de utm_source.
- Mídia da sessão: o valor de utm_medium.
- Campanha da sessão: o valor de utm_campaign.
- Origem / mídia da sessão: os dois primeiros juntos, no formato
newsletter / email. - Agrupamento de canais padrão da sessão: o canal em que o GA4 encaixou a combinação (E-mail, Pesquisa paga, Social orgânico).
Por padrão a tabela abre pelo agrupamento de canais. Para ver a campanha, troque a dimensão principal no menu acima da tabela para "Campanha da sessão", ou acrescente-a como dimensão secundária pelo sinal de mais ao lado da primeira coluna.
O segundo relatório é Relatórios > Aquisição > Aquisição de usuários. Aqui cada dimensão vem com o texto "Primeiro usuário", que, nas palavras da documentação, "indica que a dimensão descreve como você conquistou o usuário inicialmente". A campanha aparece em "Campanha do primeiro usuário", e a linha só conta quem chegou ao site pela primeira vez por ela.
Qual a diferença entre origem da sessão e origem do primeiro usuário?
A diferença é o que está sendo contado. A página do Google que compara os dois relatórios resume: "O relatório de aquisição de usuários tem escopo de novos usuários, enquanto o relatório de aquisição de tráfego tem escopo de novas sessões." O exemplo da própria documentação: uma pessoa chega pela primeira vez pelo Google e depois reabre o site dez vezes digitando o endereço. Em Aquisição de usuários, as onze sessões ficam na linha "Google". Em Aquisição de tráfego, uma fica em Google e dez ficam em "(direta)".
A página sobre escopos das dimensões de origem descreve três níveis. As dimensões de usuário "mostram a origem dos novos usuários". As de sessão "mostram a origem dos usuários novos e recorrentes quando eles iniciam novas sessões". E com as de evento, sem prefixo nenhum, "você atribui crédito a um evento principal acionado por um usuário".
Isso muda a leitura de uma campanha com UTM de três formas:
- Campanha que traz gente nova aparece forte em Aquisição de usuários e some nas semanas seguintes, quando as mesmas pessoas voltam por busca ou digitando o endereço.
- Campanha de reativação, enviada por e-mail para quem já conhece o site, aparece em Aquisição de tráfego e quase não aparece em Aquisição de usuários, porque ninguém ali é novo.
- Conversão atribuída depende do escopo: para usuário e sessão, a documentação diz que o GA4 "usa o modelo de atribuição de último clique em canais pagos e orgânicos"; para as dimensões de evento, vale o modelo configurado na propriedade.
Para saber se a campanha trouxe gente, olhe o primeiro usuário; para saber se trouxe visitas, olhe a sessão.
O que a codificação automática do Google Ads faz com a UTM manual?
Ela passa por cima. A codificação automática acrescenta ao link do anúncio o parâmetro GCLID, o identificador de clique do Google; o exemplo da documentação do Google Ads é www.example.com/?gclid=123xyz. Ela "agora fica ativada por padrão nas novas contas". E a frase que decide tudo para quem também escreve UTM no anúncio: "no Google Analytics 4 (GA4), a codificação automática é priorizada em relação à manual devido à ausência de uma opção de substituição."
Ou seja, num anúncio do Google Ads com codificação automática ligada, o nome da campanha que o GA4 mostra vem da conta do Google Ads pelo GCLID, e não do que você digitou em utm_campaign. Não há como inverter essa prioridade no GA4.
Isso não é motivo para desligar a codificação automática. A página do Google Ads sobre discrepância entre cliques e sessões inclui "Você desativou a codificação automática de URLs na sua conta do Google Ads" entre as causas de os números não fecharem.
A UTM manual no anúncio do Google continua servindo para qualquer ferramenta que não leia o GCLID. O Gerador de UTM do GoLoop trata a campanha como cadastro, e a sessão que chega com utm_campaign é atribuída a ela sem depender do Google Ads.
Por que a campanha cai em "Não atribuído" ou em "(not set)"?
São dois problemas diferentes, com dois rótulos diferentes.
"Não atribuído" é um canal. Na documentação do grupo de canais padrão do GA4, ele é o valor usado "quando não há outras regras do canal associadas" aos dados do evento. A UTM chegou inteira; o que falhou foi o encaixe do utm_medium numa regra. O canal E-mail, por exemplo, exige origem ou mídia igual a email, e-mail, e_mail ou e mail. Um utm_medium=newsletter ou utm_medium=whats não bate com regra nenhuma e vai para Não atribuído, com origem e campanha intactas nas outras dimensões.
"(not set)" é ausência de dado. A página do Google sobre esse valor o define como "marcador de posição que o Google Analytics usa quando não recebeu informações sobre uma dimensão", e lista as causas ligadas a campanha:
- "Quando o Google Analytics não recebe os parâmetros necessários para identificar de onde vem o tráfego de URLs codificados manualmente, ele mostra '(not set)'": UTM incompleta, com utm_campaign e sem utm_source, por exemplo.
- "A 'Origem / mídia da sessão' mostra '(not set)' para sessões que não apresentam o evento coletado automaticamente
session_start". - "O valor '(not set)' pode aparecer para a dimensão 'Página de destino' quando uma sessão não tem um evento
page_view".
Não atribuído se resolve trocando o utm_medium por um valor da regra (email, cpc, referral, social) nos próximos links; o histórico não muda. "(not set)" por UTM incompleta se resolve preenchendo os três parâmetros obrigatórios. "(not set)" por falta de session_start ou page_view é sinal de tag que não carregou na página de destino, o assunto da próxima seção.
UTM Google Analytics: por que sessão e clique não batem?
Porque, nas palavras da documentação do Google Ads sobre a discrepância, "cliques e sessões são métricas diferentes". O clique é registrado por quem serviu o link. A sessão é registrada pelo script na página de destino, depois de a página carregar. Tudo que acontece entre um e outro tira sessões da conta sem tirar cliques. Os motivos listados na mesma página, traduzidos para uma campanha de UTM:
- A página de destino redireciona ("sua página de destino pode redirecionar a uma página diferente"), e o redirecionamento pode descartar os parâmetros. A sessão nasce sem UTM e cai em direto.
- O servidor reescreve a URL, com o mesmo efeito.
- O script não carregou: "verifique se a página de destino consegue carregar o código de forma correta". Sem tag, não há sessão.
- O navegador bloqueou: "é possível que os usuários tenham definido preferências no navegador, impedindo a coleta de dados".
- A página demorou ("o servidor atrasa"), e a pessoa fechou antes de o script disparar.
- A mesma pessoa voltou: "os usuários retornam ao site acessando pelos favoritos". Um clique, várias sessões, nem todas com a UTM.
- Cliques inválidos: "o Google Ads filtra cliques inválidos do seu relatório. O Google Analytics mostra todos os dados".
Há ainda duas regras do próprio GA4 que mudam a contagem. A documentação de campanhas e origens de tráfego diz que "cada sessão é associada a apenas uma campanha ou origem de tráfego, e uma nova sessão não é iniciada quando o Google Analytics 4 encontra uma nova campanha ou origem de tráfego". Quem clica em dois links de campanha dentro de uma sessão gera uma sessão só, com a primeira campanha. E, segundo a documentação de sessões, "por padrão, uma sessão perde a validade após 30 minutos de inatividade": a pessoa que clica, sai e volta 40 minutos depois pelo mesmo link gera duas sessões para um clique.
O número de sessões de uma campanha, portanto, nunca é o número de cliques. É menor quando a chegada falha e maior quando a pessoa volta.
Como comparar a UTM com a chegada real no site?
Medindo os estágios separados, e não só o último. O GA4 mede a sessão, que é o terceiro estágio de quatro. O encurtador de link do GoLoop mede os quatro separados:
| Estágio | O que registra | Quem registra |
|---|---|---|
| Clique | alguém acionou o link curto | o redirecionador, antes de redirecionar |
| Chegada confirmada | a página de destino carregou e o script confirmou | o script no site |
| Sessão iniciada | a chegada virou uma visita com navegação | o script no site |
| Conversão posterior | a mesma pessoa cumpriu, depois, um evento marcado como conversão | o script no site |
Fonte: documentação do GoLoop, página do Encurtador de link, setembro de 2026.
A razão entre os dois primeiros é a taxa de chegada, e ela funciona como diagnóstico: perto de 100% significa destino bem instrumentado; muito abaixo disso quase sempre quer dizer que o script não está rodando na página de destino, e não que ninguém chegou. É a resposta para os motivos 1, 2, 3 e 5 da seção anterior, que no GA4 aparecem todos como "sessão a menos".
O mecanismo: o redirecionador registra o clique e acrescenta um token de curta duração à URL de destino; o script lê o token no primeiro evento, confirma a chegada e apaga o parâmetro do endereço. A sessão nasce atribuída à campanha mesmo sem referrer, e a UTM do link segue junto. Acessos automatizados, como a pré-visualização que o aplicativo de mensagens gera ao colar o link, são contados à parte e ficam fora dos cliques.
Para comparar com o GA4, abra a tela da campanha no GoLoop, que reúne visitas, pessoas identificadas e conversões de todos os links dela, e ponha ao lado a linha da mesma campanha em Aquisição de tráfego. Sessões do GA4 perto das chegadas confirmadas: os dois sistemas veem a mesma coisa. Sessões perto dos cliques: o GA4 conta sessões que não chegaram a navegar. Sessões bem abaixo das chegadas: a tag do GA4 não está em todas as páginas de destino. Para ir além do agregado, a tela de Atividades mostra as UTMs de cada evento ao abrir o detalhe, e um funil com etapa do tipo Campanha diz quantas dessas pessoas fizeram o que interessava; o artigo sobre funil de conversão mostra como montar, e o guia sobre como usar o Google Analytics trata do que o GA4 responde pergunta por pergunta.
Perguntas frequentes
Quanto tempo a sessão com UTM demora para aparecer no GA4?
Depende do relatório. Segundo a documentação de atualização de dados do GA4, o tempo real leva alguns minutos, o intradiário de propriedades padrão leva de 2 a 6 horas e o processamento completo "pode levar de 24 a 48 horas", período em que "os dados nos seus relatórios podem mudar". A própria página avisa que esses prazos não são garantia nem SLA.
Duas UTMs na mesma sessão contam duas vezes?
Não na sessão. A documentação de campanhas do GA4 diz que os valores enviados no meio de uma sessão "são associados aos eventos onde foram coletados" e "não são associados à sessão atual do usuário". A segunda campanha aparece nas dimensões de evento, sem prefixo, e não em Campanha da sessão.
O GA4 ainda tem atribuição de primeiro clique?
Não. A documentação do relatório de caminhos de atribuição diz que "os modelos de atribuição linear, baseado na posição, de primeiro clique e de iminência da conversão não estão mais disponíveis desde novembro de 2023". O que resta é o último clique nas dimensões de usuário e sessão, e o modelo baseado em dados nas dimensões de evento.
Preciso desligar a codificação automática para a UTM manual valer?
Não, e a documentação do Google Ads lista a codificação automática desligada como uma das causas de discrepância entre cliques e sessões. Deixe ligada, aceite que o GA4 vai ler o GCLID, e use a UTM manual para as outras ferramentas que leem o link.
O próximo passo
Abra Aquisição de tráfego, troque a dimensão para Campanha da sessão e compare o número de sessões da última campanha com os cliques que a plataforma de origem informou. A diferença entre os dois é o que a UTM Google Analytics não explica sozinha, e é o número que a taxa de chegada existe para explicar.
Cícero Moura
Cícero Moura é fundador da GoLoop. Escreve sobre jornada do visitante, funil e o que os números do site realmente dizem, a partir do produto que constrói.
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