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UTM Google Analytics: onde a campanha aparece e por que o número não bate

Por Cícero Moura12 min de leitura

UTM Google Analytics é a ligação entre os parâmetros que você escreve no link (utm_source, utm_medium, utm_campaign) e as dimensões em que o GA4 os mostra: origem, mídia e campanha da sessão, ou do primeiro usuário. O relatório conta sessões que começaram com aqueles parâmetros, e não cliques no link, por isso os dois números nunca são iguais.

UTM Google Analytics é a dupla de que todo relatório de campanha depende, e é onde a leitura costuma se perder: o número do painel é menor que o da plataforma de anúncio, ou a campanha aparece com outro nome, ou cai em "Não atribuído". Este guia mostra em qual relatório do GA4 a UTM aparece, o que a codificação automática do Google Ads faz com ela, por que sessão e clique se afastam, e como conferir a chegada real no site. Para montar o link em si, o artigo sobre o gerador de UTM cobre os parâmetros e as regras de escrita.

Neste artigo
Capa abstrata em gradiente fractal azul e laranja, com textura de ruido, para o artigo sobre utm google analytics.

UTM Google Analytics: onde a campanha aparece nos relatórios?

Em dois relatórios, e eles respondem perguntas diferentes. O primeiro é Relatórios > Aquisição > Aquisição de tráfego. A documentação do GA4 o define como "um relatório detalhado predefinido criado para ajudar você a entender a origem dos visitantes do seu site e aplicativo", e avisa que cada dimensão dele "inclui a palavra 'Sessão', indicando que a dimensão descreve a sessão mais recente do usuário". É ali que a UTM aparece como você escreveu:

  • Origem da sessão: o valor de utm_source.
  • Mídia da sessão: o valor de utm_medium.
  • Campanha da sessão: o valor de utm_campaign.
  • Origem / mídia da sessão: os dois primeiros juntos, no formato newsletter / email.
  • Agrupamento de canais padrão da sessão: o canal em que o GA4 encaixou a combinação (E-mail, Pesquisa paga, Social orgânico).

Por padrão a tabela abre pelo agrupamento de canais. Para ver a campanha, troque a dimensão principal no menu acima da tabela para "Campanha da sessão", ou acrescente-a como dimensão secundária pelo sinal de mais ao lado da primeira coluna.

O segundo relatório é Relatórios > Aquisição > Aquisição de usuários. Aqui cada dimensão vem com o texto "Primeiro usuário", que, nas palavras da documentação, "indica que a dimensão descreve como você conquistou o usuário inicialmente". A campanha aparece em "Campanha do primeiro usuário", e a linha só conta quem chegou ao site pela primeira vez por ela.

Qual a diferença entre origem da sessão e origem do primeiro usuário?

A diferença é o que está sendo contado. A página do Google que compara os dois relatórios resume: "O relatório de aquisição de usuários tem escopo de novos usuários, enquanto o relatório de aquisição de tráfego tem escopo de novas sessões." O exemplo da própria documentação: uma pessoa chega pela primeira vez pelo Google e depois reabre o site dez vezes digitando o endereço. Em Aquisição de usuários, as onze sessões ficam na linha "Google". Em Aquisição de tráfego, uma fica em Google e dez ficam em "(direta)".

A página sobre escopos das dimensões de origem descreve três níveis. As dimensões de usuário "mostram a origem dos novos usuários". As de sessão "mostram a origem dos usuários novos e recorrentes quando eles iniciam novas sessões". E com as de evento, sem prefixo nenhum, "você atribui crédito a um evento principal acionado por um usuário".

Isso muda a leitura de uma campanha com UTM de três formas:

  1. Campanha que traz gente nova aparece forte em Aquisição de usuários e some nas semanas seguintes, quando as mesmas pessoas voltam por busca ou digitando o endereço.
  2. Campanha de reativação, enviada por e-mail para quem já conhece o site, aparece em Aquisição de tráfego e quase não aparece em Aquisição de usuários, porque ninguém ali é novo.
  3. Conversão atribuída depende do escopo: para usuário e sessão, a documentação diz que o GA4 "usa o modelo de atribuição de último clique em canais pagos e orgânicos"; para as dimensões de evento, vale o modelo configurado na propriedade.

Para saber se a campanha trouxe gente, olhe o primeiro usuário; para saber se trouxe visitas, olhe a sessão.

O que a codificação automática do Google Ads faz com a UTM manual?

Ela passa por cima. A codificação automática acrescenta ao link do anúncio o parâmetro GCLID, o identificador de clique do Google; o exemplo da documentação do Google Ads é www.example.com/?gclid=123xyz. Ela "agora fica ativada por padrão nas novas contas". E a frase que decide tudo para quem também escreve UTM no anúncio: "no Google Analytics 4 (GA4), a codificação automática é priorizada em relação à manual devido à ausência de uma opção de substituição."

Ou seja, num anúncio do Google Ads com codificação automática ligada, o nome da campanha que o GA4 mostra vem da conta do Google Ads pelo GCLID, e não do que você digitou em utm_campaign. Não há como inverter essa prioridade no GA4.

Isso não é motivo para desligar a codificação automática. A página do Google Ads sobre discrepância entre cliques e sessões inclui "Você desativou a codificação automática de URLs na sua conta do Google Ads" entre as causas de os números não fecharem.

A UTM manual no anúncio do Google continua servindo para qualquer ferramenta que não leia o GCLID. O Gerador de UTM do GoLoop trata a campanha como cadastro, e a sessão que chega com utm_campaign é atribuída a ela sem depender do Google Ads.

Por que a campanha cai em "Não atribuído" ou em "(not set)"?

São dois problemas diferentes, com dois rótulos diferentes.

"Não atribuído" é um canal. Na documentação do grupo de canais padrão do GA4, ele é o valor usado "quando não há outras regras do canal associadas" aos dados do evento. A UTM chegou inteira; o que falhou foi o encaixe do utm_medium numa regra. O canal E-mail, por exemplo, exige origem ou mídia igual a email, e-mail, e_mail ou e mail. Um utm_medium=newsletter ou utm_medium=whats não bate com regra nenhuma e vai para Não atribuído, com origem e campanha intactas nas outras dimensões.

"(not set)" é ausência de dado. A página do Google sobre esse valor o define como "marcador de posição que o Google Analytics usa quando não recebeu informações sobre uma dimensão", e lista as causas ligadas a campanha:

  • "Quando o Google Analytics não recebe os parâmetros necessários para identificar de onde vem o tráfego de URLs codificados manualmente, ele mostra '(not set)'": UTM incompleta, com utm_campaign e sem utm_source, por exemplo.
  • "A 'Origem / mídia da sessão' mostra '(not set)' para sessões que não apresentam o evento coletado automaticamente session_start".
  • "O valor '(not set)' pode aparecer para a dimensão 'Página de destino' quando uma sessão não tem um evento page_view".

Não atribuído se resolve trocando o utm_medium por um valor da regra (email, cpc, referral, social) nos próximos links; o histórico não muda. "(not set)" por UTM incompleta se resolve preenchendo os três parâmetros obrigatórios. "(not set)" por falta de session_start ou page_view é sinal de tag que não carregou na página de destino, o assunto da próxima seção.

UTM Google Analytics: por que sessão e clique não batem?

Porque, nas palavras da documentação do Google Ads sobre a discrepância, "cliques e sessões são métricas diferentes". O clique é registrado por quem serviu o link. A sessão é registrada pelo script na página de destino, depois de a página carregar. Tudo que acontece entre um e outro tira sessões da conta sem tirar cliques. Os motivos listados na mesma página, traduzidos para uma campanha de UTM:

  1. A página de destino redireciona ("sua página de destino pode redirecionar a uma página diferente"), e o redirecionamento pode descartar os parâmetros. A sessão nasce sem UTM e cai em direto.
  2. O servidor reescreve a URL, com o mesmo efeito.
  3. O script não carregou: "verifique se a página de destino consegue carregar o código de forma correta". Sem tag, não há sessão.
  4. O navegador bloqueou: "é possível que os usuários tenham definido preferências no navegador, impedindo a coleta de dados".
  5. A página demorou ("o servidor atrasa"), e a pessoa fechou antes de o script disparar.
  6. A mesma pessoa voltou: "os usuários retornam ao site acessando pelos favoritos". Um clique, várias sessões, nem todas com a UTM.
  7. Cliques inválidos: "o Google Ads filtra cliques inválidos do seu relatório. O Google Analytics mostra todos os dados".

Há ainda duas regras do próprio GA4 que mudam a contagem. A documentação de campanhas e origens de tráfego diz que "cada sessão é associada a apenas uma campanha ou origem de tráfego, e uma nova sessão não é iniciada quando o Google Analytics 4 encontra uma nova campanha ou origem de tráfego". Quem clica em dois links de campanha dentro de uma sessão gera uma sessão só, com a primeira campanha. E, segundo a documentação de sessões, "por padrão, uma sessão perde a validade após 30 minutos de inatividade": a pessoa que clica, sai e volta 40 minutos depois pelo mesmo link gera duas sessões para um clique.

O número de sessões de uma campanha, portanto, nunca é o número de cliques. É menor quando a chegada falha e maior quando a pessoa volta.

Como comparar a UTM com a chegada real no site?

Medindo os estágios separados, e não só o último. O GA4 mede a sessão, que é o terceiro estágio de quatro. O encurtador de link do GoLoop mede os quatro separados:

EstágioO que registraQuem registra
Cliquealguém acionou o link curtoo redirecionador, antes de redirecionar
Chegada confirmadaa página de destino carregou e o script confirmouo script no site
Sessão iniciadaa chegada virou uma visita com navegaçãoo script no site
Conversão posteriora mesma pessoa cumpriu, depois, um evento marcado como conversãoo script no site

Fonte: documentação do GoLoop, página do Encurtador de link, setembro de 2026.

A razão entre os dois primeiros é a taxa de chegada, e ela funciona como diagnóstico: perto de 100% significa destino bem instrumentado; muito abaixo disso quase sempre quer dizer que o script não está rodando na página de destino, e não que ninguém chegou. É a resposta para os motivos 1, 2, 3 e 5 da seção anterior, que no GA4 aparecem todos como "sessão a menos".

O mecanismo: o redirecionador registra o clique e acrescenta um token de curta duração à URL de destino; o script lê o token no primeiro evento, confirma a chegada e apaga o parâmetro do endereço. A sessão nasce atribuída à campanha mesmo sem referrer, e a UTM do link segue junto. Acessos automatizados, como a pré-visualização que o aplicativo de mensagens gera ao colar o link, são contados à parte e ficam fora dos cliques.

Para comparar com o GA4, abra a tela da campanha no GoLoop, que reúne visitas, pessoas identificadas e conversões de todos os links dela, e ponha ao lado a linha da mesma campanha em Aquisição de tráfego. Sessões do GA4 perto das chegadas confirmadas: os dois sistemas veem a mesma coisa. Sessões perto dos cliques: o GA4 conta sessões que não chegaram a navegar. Sessões bem abaixo das chegadas: a tag do GA4 não está em todas as páginas de destino. Para ir além do agregado, a tela de Atividades mostra as UTMs de cada evento ao abrir o detalhe, e um funil com etapa do tipo Campanha diz quantas dessas pessoas fizeram o que interessava; o artigo sobre funil de conversão mostra como montar, e o guia sobre como usar o Google Analytics trata do que o GA4 responde pergunta por pergunta.

Perguntas frequentes

Quanto tempo a sessão com UTM demora para aparecer no GA4?

Depende do relatório. Segundo a documentação de atualização de dados do GA4, o tempo real leva alguns minutos, o intradiário de propriedades padrão leva de 2 a 6 horas e o processamento completo "pode levar de 24 a 48 horas", período em que "os dados nos seus relatórios podem mudar". A própria página avisa que esses prazos não são garantia nem SLA.

Duas UTMs na mesma sessão contam duas vezes?

Não na sessão. A documentação de campanhas do GA4 diz que os valores enviados no meio de uma sessão "são associados aos eventos onde foram coletados" e "não são associados à sessão atual do usuário". A segunda campanha aparece nas dimensões de evento, sem prefixo, e não em Campanha da sessão.

O GA4 ainda tem atribuição de primeiro clique?

Não. A documentação do relatório de caminhos de atribuição diz que "os modelos de atribuição linear, baseado na posição, de primeiro clique e de iminência da conversão não estão mais disponíveis desde novembro de 2023". O que resta é o último clique nas dimensões de usuário e sessão, e o modelo baseado em dados nas dimensões de evento.

Preciso desligar a codificação automática para a UTM manual valer?

Não, e a documentação do Google Ads lista a codificação automática desligada como uma das causas de discrepância entre cliques e sessões. Deixe ligada, aceite que o GA4 vai ler o GCLID, e use a UTM manual para as outras ferramentas que leem o link.

O próximo passo

Abra Aquisição de tráfego, troque a dimensão para Campanha da sessão e compare o número de sessões da última campanha com os cliques que a plataforma de origem informou. A diferença entre os dois é o que a UTM Google Analytics não explica sozinha, e é o número que a taxa de chegada existe para explicar.

Cícero Moura

Cícero Moura é fundador da GoLoop. Escreve sobre jornada do visitante, funil e o que os números do site realmente dizem, a partir do produto que constrói.

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